Colunistas

Publicado: Terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Na rua do Olho

Nunca fiquei desempregada em São Paulo. Já perdi empregos anteriores, em cidades afastadas por um bocado de quilômetros, mas nunca em São Paulo. E, agora, por mais que eu queira e insista simplesmente não me sinto capaz de definir a diferença. Só sei que há.

Ou não... Olho da rua existe aqui e também no Mato Grosso...

Sei lá, não entendo muito bem. As coisas ainda não estão muito definidas no horizonte e um zumbido, latejante de pânico, me confunde as ideias.

Eu sei que uma porta só fecha para que outra se abra, entendo que acontecimentos ruins tempos depois se revelam importantes detalhes, que os desafios nos estimulam, que mudanças são sempre necessárias, que nada acontece por acaso... Acredito que isso e isso e isso, que aquilo, aquilo e aquilo outro. Tenho todo o tipo de conselho ao meu dispor. Conselhos que já dei, que já ouvi e que ouço novamente. Mas mesmo desejando acreditar, às vezes é inevitável não mergulhar no abismo que se forma dentro de mim.

Nessas horas eu queria ter uma raquete igual a que tem na casa do meu avô, aquela elétrica de matar insetos. Trituraria todo e qualquer pensamento responsável por esse choque de realidade.

O fato é que a ansiedade em querer saber o que há ali na frente, depois daquela curva, é torturante. Tenho medo que a espera revele que ficar em casa aos finais de semana, feriados e férias coletivas é que é gostoso.

As coisas são diferentes nos dias úteis. Nunca tinha caminhado pelo meu bairro ao meio-dia de uma segunda-feira. Não sabia que o sorveteiro passava as terças. Não tinha ideia que a vizinha ouvia Kallypso. Não vai ser surpresa se o lixeiro passar mais cedo na quarta à noite... A vida é muito diferente quando se está em casa no horário que, em geral, ficamos no trabalho.

Pensar nisso me faz lembrar que hoje cedo me emocionei com a mensagem de encerramento do programa da Ana Maria Braga. Era algo sobre sonhos e não desistir...

Graças a Deus não estou de TPM. Se ficar desempregada já é péssimo, passar os dias enrolada numa depressão seria o fim.

Comentários