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Publicado: Segunda-feira, 9 de maio de 2011

2011 sem mitos. Ou: "Felipe Massa é o Palmeiras"

2011 sem mitos. Ou: "Felipe Massa é o Palmeiras"

Vettel venceu. Webber não fez nenhuma burrice e chegou em segundo lugar. Está aí o resumo do óbvio, a fotografia do tédio na Turquia.

Feito o parágrafo obrigatório sobre o vencedor da corrida, vamos ao interessante do fim de semana: dois mitos da temporada 2011 foram devidamente enterrados.

O primeiro envolve um grande campeão. Michael Schumacher foi bem nos treinos livres.  Não decepcionou. No treino classificatório, perdeu rendimento. Mas estava na briga. Somaria pontos. Somaria? Não.

Schumacher levou passadas de todos os pilotos. O novo e simpático Alguersuari o atormentou. O rápido e ousado Kobayashi o massacrou. O clã Force India o prejudicou.

O alemão não gostou de seu retrospecto. Disse que estava cansado. Se ele voltou pra ganhar dinheiro, o que é improvável, atingiu seu objetivo. Se voltou pra bater Alonso, o piloto que o destronou, falhou. Se queria só ser competitivo, surpresa, falhou também. Deste ano, creio, realmente não passa a aposentadoria definitiva.

O segundo mito queimado pelo impiedoso circo da Fórmula 1 tem herança nacional. Felipe Massa, o piloto da redenção, que estava em alta, que nas três primeiras provas havia mostrado as garras para Alonso,  voltou a ser o coadjuvante de sempre.

Na primeira parte da classificação, queimou um jogo de pneus macios. Uma excentricidade pra um piloto apontado por quase todos como um especialista no circuito turco. O vexatório desempenho foi coroado com o décimo tempo no Q3 – Massa não fez volta rápida devido a um erro fatal.

A corrida até apresentou um começo promissor para o brasileiro. Ele largou bem, se intrometeu no meio das Mercedes. No primeiro pit stop, a Ferrari perdeu um segundo para Hamilton. Felipe começou, ali, a se descontrolar. Depois disso, passeio pela parte suja da pista e novo erro nos boxes.

Enquanto Fernando Alonso chegou a andar em segundo lugar e cruzou a linha de chegada num impressionante terceiro posto, Felipe chegou ao 15º lugar. Prejudicado pelos boxes? Certamente, mas nada que o impedisse de pontuar, para citar um exemplo. Longe de seu companheiro de equipe ele chegaria de qualquer jeito, mas para tudo há um limite – o da Ferrari, segundo os jornais europeus, é o fim do ano.

Ano passado, Felipe foi péssimo porque não venceu o GP da Alemanha. Ficou magoado, sentido. Revoltado com o jogo de equipe que há dois anos o favoreceu, quando ele disputou o título com Lewis Hamilton. Aliás, por que ninguém o criticou por ganhar um troféu que não era dele?

Neste ano, ao que parece, todo décimo de segundo perdido no box será o pretexto para diminuir o peso sobre o cockpit do brasileiro. Tudo enfraquece Felipe, tudo o afasta do seu controle emocional. Se fosse um clube de futebol, Massa seria o Palmeiras, havendo aí o desconto de que Massa nunca venceu um campeonato – e nunca vencerá.

O mito do renascimento de Felipe Massa, uma das graças que a temporada nos ofereceria, caiu precocemente. Mal deu tempo do Coritiba fazer mais seis gols no combalido campeão do século XX. Mal deu tempo do Galvão lançar a primeira teoria conspiratória.

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