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Publicado: Quinta-feira, 14 de maio de 2009

Eu não tenho a menor ideia

Muito interessante o que o Caetano disse à Playboy na edição deste mês [o Caetano é sempre interessante, até mesmo em entrevistas chatas, o que não é o caso desta]. Quando perguntaram pra ele quais as primeiras medidas que o Obama precisa tomar neste cenário de crise econômica, o Caetano disse: “eu não faço a menor ideia”.

Às vezes é justo e necessário, nosso dever e salvação assumir que não sabemos de tudo. Ou melhor, que sabemos de quase nada, de pouca coisa. Tenho ódio desta pressão para que tenhamos opinião formada sobre tudo, sobre todos, sobre o que ainda nem sabemos que existe. Que religião frequento? Eu já li Paulo Coelho? Para qual time eu torço? Gosto de mais rock, MPB ou folk? E esse namoro do Marcelo Camelo com a Mallu Magalhães? Aborto, eutanásia e o silicone biodegradável? Pena de morte, castelo do deputado, avião do Lula, volta FHC?

Se eu conheço aquela tia da prima da amiga da mãe do Tom; se eu vou viajar para fora do País semana que vem; qual a porcentagem que gasto com cultura; o nome da filha da Xuxa; o programa de sábado, de domingo, do Chacrinha; o BBB 439; aquele novo vídeo no YouTube; o último discurso do Fidel; a liberação da maconha; se eu tenho coragem de esportes radicais; quem eu namoro; o nome do meu cachorro; a cor mais confundida pelos daltônicos... enfim, muitas coisas. Quase todas muito chatas.

É muito válido responder “não sei”. Melhor não saber do que saber errado. Ou fingir que se sabe. Melhor se mostrar aprendiz para tudo o que se pode aprender do que querer sem mestre de nada. Caetano está certo [ou não]. Este passa a ser meu novo mantra: “eu não tenho a menor ideia”.
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