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Anicleide Zequini
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Documentação Histórica

Anicleide é doutora pela Universidade de São Paulo e fez sua graduação e mestrado pela UNICAMP. Desenvolve projetos e pesquisas na área de História. Atua como especialista no Centro de Estudos do Museu Republicano de Itu.

A Imigração Japonesa em Itu

Publicado: Segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Anicleide Zequini                                  
Aline A. Zanatta                                    
 
Ao longo do ano de 2008, várias atividades culturais marcaram as comemorações referentes ao centenário da imigração japonesa no Brasil, o que suscitou discussões sobre as experiências dos imigrantes japoneses em várias regiões. Neste artigo, buscamos oferecer aos educadores e ao público em geral informações sobre a experiência da imigração japonesa na cidade de Itu.

Para o desenvolvimento desse artigo, realizamos uma pesquisa documental nos arquivo do Estado de São Paulo e efetuamos um levantamento bibliográfico para compor o contexto da imigração japonesa no Brasil e na região de Itu.

O JAPÃO IMPERIAL E O CONTEXTO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA O BRASIL
Em 1868, com a “restauração do império Meiji” ao final do governo Tokugawa, o Japão passou por transformações sociais, econômicas e políticas, viabilizando a reabertura dessa sociedade para o mundo ocidental. Politicamente, a restauração representou a volta ao poder do Imperador Mutsuhito Ishin Meiji, fundador da dinastia que governou o país de 1868 a 1912, legitimado pela Constituição japonesa de 1889.

Esse Imperador foi considerado o grande responsável pelas profundas e rápidas transformações do Japão, o qual deixava de ser um Estado feudal, com base quase que exclusivamente na agricultura, para se tornar um Estado moderno, extinguindo-se a nobreza feudal e transformando-se os camponeses em proprietários de terras. Destacam-se, também, incentivos ao crescimento da manufatura e da indústria, criando-se as bases para a implantação do sistema capitalista no Japão.

Por outro lado, o empobrecimento dos camponeses submetidos a taxas elevadas de impostos sobre a terra e a produção agrícola, impulsionou o êxodo rural em busca de trabalho e conforto em áreas urbanas. A melhoria das condições sanitárias e de saúde pública ensejou o crescimento da população, enquanto que políticas de expansão territorial possibilitaram o surgimento de correntes imigratórias. Além disso, as assinaturas de tratados, como o de Amizade, Comércio e Navegação com vários países do Ocidente, possibilitaram intercâmbios culturais e econômicos. O Japão assinou com o Brasil, em 1895, modalidade de Tratado que deu origem a crescente intercâmbio.

A fundação de Companhias de Emigração no Japão permitiu que numerosos imigrantes japoneses fossem encaminhados para diversas partes do mundo, como Austrália, Havaí, Canadá, Estados Unidos, Peru e Brasil. Cabiam a essas Companhias negociar os contratos de trabalho, selecionar os candidatos, providenciar os meios de transporte e se responsabilizar pelo cumprimento desses contratos. Além do que, investiam em propaganda, difundindo uma imagem paradisíaca do país de destino.

A imigração japonesa se diferencia de outras, por ter tido amparo e ajuda de representantes do governo japonês no processo de fixação dos imigrantes no Brasil. Em 1896, a Câmara dos Deputados do Japão aprovou a Lei de Proteção aos Emigrantes, incentivando a emigração e dando ao emigrante uma legislação.
No Brasil, a partir da Constituição de 1891, os Estados passaram a ter autonomia em relação às políticas de imigração. Foi também a partir desse período que São Paulo tornou-se o mais importante Estado imigrantista do Brasil, em um momento em que em suas terras a lavoura cafeeira atingia índices mais significativos de produção.

Contudo, observa-se que a introdução de imigrantes japoneses se defrontava com resistências em razão de questões raciais. De fato, após a Proclamação da Republica em 1889, parte da elite dominante defendia o “branqueamento” da população como ponto crucial para a construção da nação, tese que estava baseada nas teorias da desigualdade das raças humanas, conforme propugnava o Conde de Gobineau nos seus estudos publicados em 1853. A imigração japonesa foi pensada no momento da alta dos preços do café no mercado internacional, e em razão da conseqüente expansão das áreas dos cafezais, no início do século XX, bem como devido a suspensão pelo governo da Itália, em 1902, da vinda de imigrantes daquele país para o Brasil.

A partir de 1907, ficou regulamentada a imigração para o Estado de São Paulo, dando oportunidade para que o governo do Estado, cujo presidente era Jorge Tibiriçá, assinasse contratos com diferentes companhias japonesas, entre elas a Empire Emigration Company sediada em Tóquio e presidida por Ryo Mizuno, para as primeiras experiências com a introdução de imigrantes japoneses. A vinda de imigrantes japoneses começaria de fato a partir de 1908.

O período compreendido entre 1908 a 1924 é considerado como a primeira fase da imigração japonesa, sob caráter experimental, marcado pela insegurança de seu sucesso, tanto por parte dos fazendeiros como pelos japoneses. Caracteriza-se também pelo estranhamento do clima, língua e alimentação, além de questões relacionadas às condições de trabalho nas fazendas de café. Entre 1908 a 1920, chegaram ao Brasil 28.706 imigrantes japoneses; de 1921 a 1940, foram 160.764 e, entre 1941 a 1960, 43.572. Dessa forma, observa-se que o Japão seguiu a Itália, Espanha e Portugal como um dos mais importantes fornecedores de mão de obra para as fazendas de café.
 
Até o período da Segunda Guerra Mundial, a presença japonesa é marcada pela construção da sua identidade, integrando-se à sociedade brasileira e destacando-se particularmente no desenvolvimento e aperfeiçoamento da agricultura no Estado de São Paulo.

O ANO DE 1908 E A CHEGADA DO PRIMEIRO GRUPO DE IMIGRANTES
Em março de 1908, intérpretes japoneses haviam deixado Tókio, via Sibéria, com o objetivo de trabalhar junto ao primeiro grupo de imigrantes. Em 28 de abril, partiu do porto de Kobe, embarcados no vapor “Kasato Maru”, o primeiro grupo de imigrantes japoneses, inaugurando a rota de imigração oficial entre Japão e Brasil.
 
Depois de 52 dias de viagem, aportando apenas em Singapura, na Ásia, e na cidade do Cabo, na África, chegaram ao Porto de Santos, em 18 de junho de 1908.
 
No Kasato-Maru vieram 781 pessoas, em sua maioria agricultores, para cumprir contrato com a Empire Emigration Company, sendo 234 oriundos de Okinawa, 172 de Kagoshima, 107 de Fukushima, 66 de Hiroshima, 49 de Kumamoto, 21 de Ehime, 20 de Yamaguchi, 10 de Miyagi, 9 de Niigata e 3 de Tókio. Como tradutor estava Unpie.
 
Segundo J. Amâncio Sobral, inspetor de imigrantes do Estado de São Paulo, em artigo publicado no jornal Correio Paulistano de 26 de junho de 1908, os japoneses chegados no “Kasato Maru” estavam vestidos à ocidental e traziam malas de vime, roupas e objetos simples. Todos tinham escovas e pó dental, pente e navalha de barba, itens que na época muitos imigrantes europeus e mesmo brasileiros não tinham, além de travesseiros de madeira, casacos, pequenas ferramentas, utensílios de cozinha e frasquinhos de shoyu. A maioria trouxe livros, tinta e papel.
 
A partir do contrato assinado entre a Companhia Imperial de Emigração de Tókio e o governo do Estado de São Paulo, estabelecia-se a entrada de famílias compostas entre 3 e 10 pessoas, com mais de 12 anos de idade. Assim, observa-se que dos 781 japoneses trazidos, 765 tinham mais que 12 anos, sendo 727 registrados como agricultores e 54 relacionados a outras profissões, dentre as quais 33 carpinteiros, 11 pedreiros, 3 cutileiros, 3 fundidores, 2 canteiros, 1 alfaiate, 1 sacerdote.

Caberia ao governo do Estado de São Paulo, subvencionar parte do transporte dos imigrantes, assistência médica e intérprete, sendo que uma das parcelas desse subsídio era paga pelos fazendeiros que, posteriormente, descontavam o valor dos ganhos desses imigrantes quando fixados em sua propriedade.

Do porto de Santos os imigrantes seguiram por via férrea até o prédio da Hospedaria dos Imigrantes na cidade de São Paulo e, daí, para as fazendas cafeeiras, cujos proprietários haviam estabelecido acordos prévios com o governo.
 
Esses primeiros japoneses foram encaminhados para seis das principais fazendas agrícolas da época: “Companhia Agrícola Fazenda Dumont (Ribeirão Preto), 204 pessoas; Companhia Agrícola Fazenda São Martinho (Ribeirão Preto), 89 pessoas; empresa do Dr. Francisco Antonio de Sousa Queiroz (São Manoel), 99 pessoas; São Paulo Coffee States Company Ltd. (São Simão), 115 pessoas; Dr. Godofredo Fonseca (Itu), 170 pessoas”.

A precariedade das moradias nas fazendas, as dificuldades de entendimento entre fazendeiros e imigrantes em função das diferenças culturais, de idioma e costumes, o controle e fiscalização excessivos no campo de trabalho, os endividamentos causados pela obrigatoriedade da compra de itens de primeira necessidade nos armazéns da fazenda e a baixa remuneração pelos serviços prestados fizeram com que muitos imigrantes abandonassem aquelas fazendas na procura de outras profissões. Até o final do ano de 1908 apenas 359 das 781 pessoas que chegaram no navio “Kasato Maru” ainda permaneciam nas fazendas de café.

Ao abandonarem as fazendas muitos imigrantes dirigiram-se para a Argentina, num processo de reemigração através de Santos, enquanto que outros retornaram à Capital de São Paulo.

Assim, os primeiros grupos entrados entre 1908 a 1914, contando com 14.983 pessoas, apresentaram baixo índice de fixação à terra, motivo pelo qual o governo paulista cortou a concessão de subsídios para a imigração japonesa. Somente em 1917 é que, a partir da assinatura de um novo contrato com a empresa de imigração, a Companhia de Emigração Takemura Shokan Kaisha, o governo passou novamente a subsidiar a vinda dos imigrantes para o Estado de São Paulo. Em 1917, o governo japonês fundou a Kaigai Kogyo Kabuschiki Kaisha (Companhia Ultramarina de Empreendimentos S. A) a KKKK, que até 1920, ao incorporar outras companhias japonesas, exerceu o monopólio migratório para o Brasil.

A partir de 1921, é o governo japonês que assume esse encargo, passando, a partir de 1924 a subsidiar integralmente a vinda desses imigrantes. A KKKK foi a única companhia japonesa de imigração para o Brasil até o ano de 1940.

O AUGE DA IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA O BRASIL (1924 - 1941)
A partir de 1910, as empresas de imigração japonesa compraram grandes áreas de terra para a instalação de colônias ou núcleos coloniais de japoneses, por meio de venda de lotes para o imigrante, proporcionando a formação de pequenos produtores agrícolas, voltados para a produção de arroz e algodão, matéria-prima da indústria têxtil mundial. O sistema de colônias deu origem a várias comunidades no Brasil, como as dos municípios paulistas de Aliança, Bastos (atividades granjeiras), Iguape, Registro (chá) e Suzano. Nessas colônias os imigrantes tinham a permissão de organizar a comunidade, educar os filhos na língua e cultura japonesas, o que proporcionou também a criação de uma imprensa voltada para as colônias.

Além desse aspecto relacionado com a produção agrícola japonesa, destaca-se a criação de cooperativas voltadas para organização dos agricultores e sua produção, sendo a mais importante delas a CAC – Cooperativa Agrícola de Cotia, criada oficialmente em 1927.

Essa segunda fase da imigração japonesa, que se estende de 1924 a 1941, é considerada como o auge do movimento imigrantista, destacando-se pela entrada de imigrantes “espontâneos”. As passagens eram totalmente subsidiadas pelo governo japonês, incrementando-se a vinda de imigrantes de todas as partes do Japão, bem como a vinda de parentes e vizinhos.
 
As restrições impostas pelos Estados Unidos à entrada de imigrantes japoneses, a partir de 1924, reorientaram a imigração para países latino-americanos, sobretudo para o Brasil.

A imigração japonesa era realizada por empresas privadas como a Kaigai Ijuu Kumiai Rengokai (Confederação das Cooperativas de Emigração), fundada no Japão em 1927, e sua filial brasileira a BRATAC (Sociedade Colonizadora do Brasil), fundada em 1928, com capital japonês, que compraram várias glebas de terras para a formação de colônias nas áreas de expansão do Estado de São Paulo e norte do Paraná, revendendo-as aos imigrantes. Ao mesmo tempo, a BRATAC instalava toda uma infra-estrutura para o funcionamento dos núcleos coloniais, abrindo estradas, construindo escolas e instalações de serviços médicos.

Se, por um lado, havia um desejo de enriquecimento do imigrante, fomentado pela propaganda da Companhia de Emigração, por outro lado, parte dos imigrantes pretendia voltar para o Japão, em contraste com o objetivo das companhias de emigração, as quais pretendiam fixá-los na nova terra, e do governo do Japão, que não incentivava qualquer retorno. A impossibilidade de um enriquecimento rápido faz com que o imigrante buscasse a independência econômica da sua família, investindo na compra de terras e na agricultura.

Após a crise do café, em 1929, a economia paulista encontra novas alternativas para a exploração agrícola, e os japoneses passam a se destacar em novas culturas como no plantio do algodão e arroz, feijão, batata e tomate para o abastecimento das cidades.

Na produção de algodão, destaca-se a Sociedade Algodoeira Brasil – Japão, fundado em 1936, que instala equipamentos de beneficiamento junto aos locais de produção, tentando suprir o mercado do Japão. Sua atuação proporcionou a transferência geográfica de japoneses, já na condição de proprietários de terras e amparados por representantes de seu país, para áreas pioneiras, favorecidas com o avanço das ferrovias no território paulista.

Nascem as colônias criadas pelo governo japonês e aquelas criadas por iniciativa dos próprios imigrantes, formada em torno de famílias da mesma origem provincial. Essas se tornaram as mais numerosas. Na cidade de São Paulo e arredores desenvolvem-se as culturas de hortaliças, avicultura e batata.

Em 1937, Getúlio Vargas desencadeou uma política nacionalista de características étnicas e lingüísticas voltada para o controle da presença estrangeira, particularmente o de japoneses. A lei de imigração de 1938, decreto-lei no. 406 e seu complemento, o decreto-lei 3.010, de 20 de agosto de 1938, tornou obrigatório o cadastramento de todos os estrangeiros não-naturalizados com menos de 60 anos, instituiu a carteira de estrangeiro (RNE, RE), abrangendo os estrangeiros nascidos após 1880 e os aqui chegados a partir daquela data, bem como definiu a quota de entrada de japoneses em 2% dos estabelecidos nos últimos 50 anos de imigração. O decreto-lei número 383, de 18 de abril de 1938, proibiu a participação de estrangeiros nas atividades políticas e, em agosto de 1938, ficava proibido o ensino de línguas estrangeiras, com o fechamento de escolas, principalmente as de japonês, alemão e italiano. No ano seguinte, ficou proibida a publicação de jornais em língua estrangeira. Nota-se que, em 1935, havia em São Paulo 194 escolas japonesas, 20 escolas alemãs e 8 italianas.

Em 1939, com o início da II Guerra Mundial na Europa, desmonta-se o esquema de imigração. O Brasil se alia contra os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão) e as relações diplomáticas entre o Brasil e Japão são cortadas em 1941. A imigração japonesa foi proibida e o serviço de correios entre o Brasil e o Japão foi suspenso, dificultando ainda mais a situação dos japoneses. O último navio a chegar ao Brasil foi o “Buenos Aires Maru”, em 1941.

Em 1944, o conflito na Europa já estava enfraquecido, tendo a rendição japonesa se dado após os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Mesmo após esse fato, firmas japonesas, bancos, cooperativas, indústrias e sociedades contavam com a direção de interventores brasileiros.

No Brasil, a desinformação causada pelo período de guerra favoreceu o surgimento de grupos ideológicos distintos junto às comunidades de japoneses que aqui viviam. De um lado, havia os Kachigumi (que acreditavam que o Japão havia vencido a guerra), que se opunham aos Makegumi (acreditavam que o Japão havia perdido a guerra). Estes últimos se organizaram na chamada Shindo Renmei (Liga do Caminho dos Súditos).

OS IMIGRANTES JAPONESES EM ITU
A partir da segunda metade do século 18, as lavouras de exportação com extensas plantações de cana-de-açúcar modificam a paisagem e a dinâmica de ocupação das terras do interior paulista, principalmente na região de maior concentração dessa cultura denominada “quadrilátero do açúcar”. Tal quadrilátero era formado pelas vilas de Sorocaba, Piracicaba, Mogi-Guassu e Jundiaí, destacando-se as localidades de Itu e Campinas.

Itu foi uma das primeiras localidades a se dedicar ao cultivo da cana-de-açúcar, o que ocasionou um grande aumento no número de escravos e de edificações rurais, desenvolvendo-se, também as criações de gado, ovelhas, cavalos e o comércio de terras.
 
Em 1798, eram 107 os engenhos em Itu, no ano seguinte 113 e, em 1803, 130 engenhos. A população continuou a crescer e o número de escravos havia duplicado ao fim do período colonial. Em 1791, foram importados 300 escravos vindo de Benguela para trabalhar nas plantações e na fabricação do açúcar, cuja produção era destinada ao consumo e à exportação. Em 1783, a região de Itu era responsável pela maior parte do açúcar produzido na Capitania de São Paulo.

Dentre as áreas destinadas a cana-de-açúcar, destaca-se a região do Pirahy de Baixo e do Pirahy de Cima, atualmente denominado de bairro do Pedregulho, região em que se concentrava um significativo número de escravos e de engenhos de açúcar tocados por energia hidráulica. A partir de 1850, com a valorização do café no mercado externo, algumas fazendas localizadas nessa região, transformaram suas atividades econômicas passando a se dedicar a esta agricultura. Entre elas estão as fazendas Floresta, Piraí, Concórdia, Pinhal e Japão, atualmente denominada Capoava.

1908 : OS JAPONESES NA FAZENDA FLORESTA DE ITU
A partir de 1857, com o falecimento de Francisco de Almeida Prado, a fazenda Floresta passou a pertencer a um de seus filhos, o Capitão Bento Dias de Almeida Prado – Barão do Itaim – e, a partir de 1868, a propriedade foi adquirida por Francisco Emydio da Fonseca Pacheco.

Francisco Emydio participou da Convenção de Itu, em 1873, tendo sido também Deputado e Senador por São Paulo. Em 1888, já como proprietário da fazenda Floresta, destacou-se como o maior produtor de café de Itu, na qual chegou a ter, em 1901, trezentos mil pés de café.

Com o falecimento deste, em 1901, a fazenda passou para as mãos de um de seus filhos, Godofredo da Fonseca, cuja trajetória associa-se ao primeiro projeto de introdução de imigrantes japoneses em São Paulo.

Para a fazenda Floresta foram encaminhados, em 1908, 170 imigrantes, em sua quase totalidade agricultores provenientes de Okinawa.

Além de Godofredo da Fonseca, também Antonio Almeida Sampaio, que possuía uma fazenda de café na estação Pimenta, interessou-se em contratar imigrantes. Porém, esse projeto não se concretizou, sendo os imigrantes japoneses introduzidos apenas na fazenda Floresta.

Em agosto de 1908, Godofredo noticiava em carta redigida a Antonio Candido Rodrigues, secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, que os imigrantes haviam plantado cereais e que pretendiam fazer uma grande lavoura de arroz. Em setembro de 1908, alguns desses imigrantes alocados na fazenda do Dr. Godofredo da Fonseca achavam-se novamente na Capital, bem como na Hospedaria de Imigrantes Neste mesmo ano, o proprietário indicava que 50 pessoas já haviam abandonado o trabalho em sua fazenda. Em julho de 1909, por meio de outro comunicado para o secretário, indicava que haviam se retirado de sua propriedade todos os imigrantes.

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

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HISTORIA VIVA: Japão: 500 anos de história: 100 anos de imigração (editor Igor Fuser). São Paulo: Duetto Editorial, 2008 vols: 01, 02, 03.
NOGUEIRA, Arlinda Rocha. A imigração japonesa para a lavoura cafeeira paulista (1908-1922). São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, USP, 1973
NOGUEIRA, Arlinda Rocha. Antecedentes da imigração japonesa no Brasil. São Paulo: Hucitec/Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, 1992.
QUINTANEIRO, Tania. Plantando nos campos do inimigo: japoneses no Brasil na Segunda Guerra Mundial. Estudos Ibero-Americanos, Vol. 32, No 2 (2006). Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/iberoamericana/article/view/1361
TRABALHADORES. Campinas: Fundo de Assistência à Cultura, 1989.

VIEIRA, Francisca Isabel Schurig. O japonês na frente de expansão paulista: o processo de absorção do japonês em Marília. São Paulo: Livraria Pioneira Editôra, [1973].
 
WAWZYNIAK, Sidinalva Maria dos Santos. Histórias de estrangeiro: passos e traços de imigrantes japoneses (1908-1970). Tese (doutorado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Cięncias Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-Graduaçăo em História. Defesa: Curitiba, 2004. Disponível em: http://hdl.handle.net/1884/2991
Família katahira
DUBNER, Deborah. A família katahira em Itu. Disponível em: http://www.itu.com.br/noticias/detalhe.asp?cod_conteudo=14216

FONTES:

Arquivo do Estado de São Paulo – Fundo Secretaria da Agricultura.
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