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Publicado: Quinta-feira, 3 de abril de 2008

Desvendando a PRESBIOPIA

Foi-se o tempo em que ter mais de 40 significativa render-se aos temíveis óculos na ponta do nariz. Quem tem presbiopia já tem inúmeras opções para tratar a condição
 
Há quem diga que a visão de mundo começa a mudar depois dos 40 – pelo menos no sentido próprio da palavra. Afinal, é a partir dessa idade que muita gente começa a sentir que os braços ficaram “curtos” e se rende ao temido look “óculos na ponta do nariz”, em decorrência da dificuldade de enxergar de perto adquirida com o tempo.
 
Sim, porque, de maneira resumida, a presbiopia não passa disso: uma manifestação natural dos processos de envelhecimento do olho. De raízes gregas, a palavra presbiopia é uma combinação do prefixo présbys, que significa velho, e ops, que quer dizer olho, portanto, “olho velho”.
 
A presbiopia pode ser caracterizada como um processo de perda de elasticidade do cristalino. A pessoa apresenta uma redução da capacidade acomodativa, necessária para ajustar a visão a objetos próximos, e o músculo ciliar perde a capacidade de se contrair para movimentar as cartilagens do cristalino.
 
Esse distúrbio começa no nascimento, mas é por volta dos 40 anos que uma pessoa sem necessidade de correção óptica para ver de longe nota as dificuldades para ver à distância normal de leitura, cerca de 30 cm a 35 cm dos olhos. Isso significa que a presbiopia nada mais é do que a dificuldade para “ver de perto” adquirida com a idade. Assim, nos hipermétropes, que já utilizam parte de sua acomodação para compensar esse defeito óptico, as manifestações da presbiopia são sentidas antes. Míopes, ao contrário, sem o uso da correção para longe, vêem bem de perto até em idades mais avançadas.
 
Alguns fatores parecem colaborar para o aparecimento precoce da presbiopia. Na Europa, por exemplo, esse distúrbio costuma aparecer por volta dos 45 anos, enquanto nos países sul-americanos a incidência ocorre na faixa dos 35 a 40 anos. Estudos mostram que em países de climas quentes a condição surge mais cedo que em lugares de climas frios possivelmente devido à ação da radiação solar sobre a elasticidade do cristalino.
 
Melhor visão para perto
Apesar de ser uma condição da qual quase ninguém escapa, o que muita gente não sabe é que já existem opções para atenuar o problema, que vão de lentes mais modernas e precisas até cirurgias para corrigia a dificuldade de visão para perto adquirida com a idade.
 
O tratamento convencional é feito com as lentes de adição, que é como são chamadas a lentes para presbitas. A “adição” é gradativamente maior à medida que os olhos envelhecem. Seu máximo é de +3,00 ou 3,50 D em casos normais.
 
As correções da presbiopia, com lentes adicionais às que seriam necessárias para longe, devem ser feitas sob medida por oftalmologistas. Montagens prontas, em farmácias, ou camelôs, oferecem apenas ajustamentos aproximados pelo simples aumento das imagens. O perigo é o usuário sentir que seu problema foi resolvido, fazendo com que ela adie a consulta médica, que poderia detectar problemas visuais mais graves.
 
Essa adição pode ser incorporada às lentes dos óculos convencionais na forma de segmentos ópticos facilmente identificáveis, como as lentes bifocais, com uma porção intermediária, as lentes trifocais, ou indistinguíveis, e as lentes progressivas ou multifocais, consideradas uma revolução no tratamento da presbiopia. Criadas nos anos 60, elas permitiram que os pacientes enxergassem de perto e de longe por meio de uma suave transição entre os graus e se tornaram sinônimos de mais conforto visual e melhor estética. Como todos terão presbiopia com a idade, o tratamento mais eficaz é aquele feito com a prescrição médica correta. Vale ressaltar a importância de encontrar o tipo de lente mais adequado ao usuário e não contém meia distância.
 
Com um uso mais restrito estão as lentes de contato bifocais, que garantem boa visão para longe em sua parte superior, e para perto, como leitura e trabalho manuais, no segmento inferior. Por apresentarem apenas esses dois focos – daí o nome bifocais -, a visão para distâncias intermediárias, como no uso de computadores, fica comprometida. Por causa disso, essas lentes ainda passam por um processo de aprimoramento.
 
Na correção com lentes de contato, há quem prefira usar a chamada monovisão: enquanto uma lente garante a visão para grandes distâncias, a outra fica ajustada para perto. O problema é que muitos pacientes não se adaptam a esse tipo de tratamento. Muitas vezes é preferível prescrever o uso de óculos, porque sabemos que teremos um resultado mais garantido.
 
Opção com grande apelo para o público, a cirurgia para presbiopia vem se popularizando, mas ainda não é considerada completamente satisfatória pelos oftalmologistas. Nessas cirurgias, é comum fazer uso de lentes intra-oculares multifocais. Ainda não existe uma técnica cirúrgica capaz de solucionar totalmente o problema. Os óculos multifocais ainda são o método mais eficaz, que devolvem a visão que mais se assemelha à de um paciente normal.
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