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Publicado: Quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Olhos emprestados

Para milhares de deficientes visuais, as audiotecas trazem de volta o prazer da leitura. A Audioteca Kate Heymann, da Comunidade Shalom, é uma das instituições pioneiras em levar o universo dos livros a quem não enxerga.
 
A Audioteca Heymann funciona de uma maneira bem simples: os interessados se comunicam por correio, e-mail ou telefone e solicitam uma lista de obras - que podem ser enviadas em fita, em braile ou num papel impresso. São mais de 760 livros em fitas cassete ou cds, gravados por locutores voluntários ao longo dos mais de 30 anos de existência da audioteca. Há diversos tipos de obras, desde infantis, passando por romances brasileiros e estrangeiros, livros didáticos, de direito, filosofia, religião e best-sellers. O usuário escolhe um titulo e ele é enviado pelo correio, sem custo algum para nenhuma das partes, graças ao cecograma, uma lei internacional que garante o envio de correspondência gratuita para cegos. E se a pessoa não encontrar a obra que quer, também é possível encomendar livros. Nesse caso, basta fornecer as fitas ou CDs que serão usados na gravação.
 
A semente dessa organização foi plantada há três décadas, quando uma amiga de Kate Heymann ficou cega. Ela lia para sua amiga e, aos poucos, começou a registrar as leituras: gravava, catalogava, enviava pelo correio, fazia contato com as pessoas.
 
A comunidade Shalom abraçou a idéia, fornecendo sede e apoio para estruturar e ampliar o trabalho. Hoje a instituição também tem parceria com outras 20 organizações de deficientes visuais de todo o Brasil. Suas obras constam do catálogo da Biblioteca Virtual da Universidade de São Paulo e da Associação Laramara, entre outros.
 
Porém, mesmo com toda a estrutura, o trabalho continua sendo realizado inteiramente por voluntários.
 
Agora, com praticamente todo o acervo digitalizado, a audioteca Kate Heymann tem aspirações ambiciosas: quer ampliar o trabalho para outros usuários. Mostrando que não apenas cegos podem usar os livros falados. Indivíduos com problemas neurológicos, dislexia, tetraplégicos, mal de Parkinson, pessoas que tiveram derrames ou da terceira idade que não conseguem mais ler, todos eles precisam saber que tem esse recurso à disposição.
 
Vale lembrar que há outras instituições Brasil afora que oferecem livros falados a deficientes visuais. A Fundação Dorina Nowill, por exemplo, tem um acervo de mais de 2 mil obras e cobra uma taxa mensal de 10 reais pela utilização do serviço. O Clube da Boa Leitura, no Rio de Janeiro, tem 3 mil títulos em fitas cassete e o cadastramento é feito pelo correio. Um serviço de utilidade pública – afinal, um bom livro pode trazer um prazer imenso, principalmente àqueles privados de ver o mundo com seus próprios olhos.
 
Mais informações:
> Audioteca Kate Heymann
Rua Coronel Joaquim Ferreira Lobo, 195 - Vila Olímpia
Cep. 04544-150, São Paulo – SP. Tel: (11) 3846-5221
 
> Fundação Dorina Nowill
Rua Doutor Diogo de Faria, 558
Cep. 04037-001, São Paulo – SP. Tel: (11) 5087-0999
 
> Clube da Boa Leitura
Para se associar ao Clube, o interessado deve enviar uma correspondência, com fotocópia da carteira de identidade, para:
Rua São Salvador, 56 - Laranjeiras
Cep. 22231-130 – Rio de Janeiro - RJ
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