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Cuidando dos seus olhos
Oftalmologista pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Membro Titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Atende em seu consultório, em Itu.
Glaucoma
Publicado: Quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Sem Alarde
Entenda o que é o glaucoma e como tratar a doença, que é a maior causa de cegueira irreversível no mundo.
Apesar de o glaucoma ser a principal causa de cegueira irreversível em todo o mundo, a adesão dos pacientes ao tratamento ainda é um obstáculo. Há no Brasil mais de 900 mil portadores de glaucoma, sendo que 40% deles não seguem o tratamento corretamente. Cerca de 20% dos pacientes que passam por exames e apresentam suspeita de glaucoma não voltam para uma segunda consulta. Falta informação. Muitas pessoas ainda desconhecem a doença. Sabem mais sobre a catarata e a conjuntivite do que o glaucoma, por isso a divulgação é muito importante.
Por que isso acontece? A razão é simples: a ausência de sintomas. O glaucoma não apresenta nenhum sinal na fase inicial em 90% dos casos. Ele é sorrateiro, pois quando o paciente começa a perceber alguma dificuldade em enxergar a doença, já destruiu muitas fibras nervosas, e já comprometeu grande parte do campo visual.
A ausência de dor ou qualquer outro incomodo faz com que o portador do glaucoma não perceba alterações no campo visual. Em geral, a doença atinge apenas um dos olhos na fase inicial, o que faz com que o olho sadio aliado ao cérebro compense a deficiência da perda visual. O paciente começa a perder o campo periférico e não percebe, pois a perda é feita de forma lenta e progressiva.
Quando a doença chega a uma fase avançada, o paciente fica com a chamada “visão tubular”, que dificulta atividades simples como a locomoção. Quem tem glaucoma avançado não consegue enxergar as pessoas ao seu redor e tem dificuldade de desviar de objetos no caminho. No último estágio, o glaucoma atinge a visão frontal, que ainda estava preservada, e provoca a cegueira completa e irreversível.
Desvendando a doença
Existem mais de 25 tipos de glaucoma na literatura médica, que incluem glaucomas secundários a traumas, uso excessivo de colírios de corticóides, inflamações nos olhos ou diabetes. O mais comum, entretanto, é o glaucoma crônico simples, que atinge de 2% a 4% da população acima dos 40 anos. Alguns estudos mostram que a população negra também tem maior propensão a desenvolver a doença.
De forte caráter hereditário, glaucoma afeta o nervo óptico, estrutura que leva a informação visual do olho para o cérebro. O principal fator de risco da doença é o aumento da pressão intra-ocular, causado por uma deficiência na drenagem do humor aquoso, um líquido transparente que flui dentro do globo ocular. Esse líquido é produzido continuamente pelo olho, ao mesmo tempo que é drenado para fora por um sistema de canais. A pressão alta se desenvolve devido a uma deficiência nesse sistema. A ciência ainda desconhece o mecanismo exato do aumento da pressão intra-ocular, mas sabe-se que ela atrapalha no funcionamento das fibras nervosas que formam o nervo óptico.
A maneira do diagnóstico do glaucoma foi um grande avanço na prevenção da doença. Hoje a definição de glaucoma não é mais dada apenas pela medida da pressão intra-ocular. Sabe-se que o diagnóstico correto deve ser feito pelo nervo óptico e pela camada de fibras nervosas. Somente o oftalmologista pode realizar os exames de fundo de olho e a medição da pressão, por isso é recomendável que pessoas acima de 40 anos, que é a idade em que a moléstia começa a se manifestar, visitem regularmente um especialista.
Aconselho os pacientes a sempre perguntar qual a pressão dos seus olhos, pois isso força o oftalmologista a dar uma atenção especial aos exames. Se o paciente tiver uma alteração no nervo óptico, independente da pressão alta, significa que ele tem glaucoma e merece atenção. Mas se ele apresentar pressão alta e não tiver nenhuma lesão, ele é um hipertenso ocular e tem grande tendência a desenvolver a doença, principalmente se sua córnea for fina. A espessura corneana é muito importante no desenvolvimento da doença.
Luz no fim do túnel
Infelizmente a ciência ainda não descobriu formas de prevenir o glaucoma, mas é certo que a fidelidade ao tratamento pode controlar a doença. Os pacientes diagnosticados com glaucoma fazem um tratamento à base de colírios que diminuem a pressão intra-ocular por meio da produção de humor aquoso ou do maior escoamento desse líquido. A boa notícia é que o mercado farmacêutico disponibiliza uma grande variedade de colírios que são bem mais eficazes do que eram há dez anos.
Em casos em que apenas os colírios não surtem efeito, os tratamentos com laser e até cirurgia se apresentam como alternativas eficazes. Deve ficar claro que o objetivo desses tratamentos não é curar a doença, mas controlar, estabilizar e impedir que haja uma progressão no defeito do nervo óptico e no defeito do campo visual. A fidelidade ao tratamento evita 10% das cegueiras por glaucoma. Portanto, a percepção do médico e do paciente sobre a doença é importante, já que é através do esclarecimento sobre o que é o glaucoma e como é o tratamento que os índices de cegueira por glaucoma podem diminuir.
É preciso informar sobre a doença, alertar para a questão da hereditariedade e fazer com que o paciente conheça a sua pressão ocular e utilize o colírio corretamente. Conscientizar o paciente de que, apesar dos efeitos colaterais, instilar os colírios de modo correto e nos horários prescritos é a única maneira de evitar que ele fique cego.
Dicas para portadores de glaucoma
> Siga corretamente as instruções do seu oftalmologista.
> Saiba qual a sua pressão ocular. Essa informação pode auxiliar seu oftalmologista na próxima consulta.
> Adapte os horários do uso do colírio às suas atividades diárias. O controle do glaucoma depende do uso correto e regular da medicação.
> Informe-se corretamente sobre a forma de aplicar seu colírio. Caso tenha dificuldades, peça auxílio a um familiar.
> Nunca deixe de ir às consultas oftalmológicas e leve sempre as receitas anteriores. É nessa ocasião que o médico avaliará o seu tratamento.
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