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Publicado: Quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Ajusta-te ou morrerás!

Crédito: Conexão Braço de Orion Ajusta-te ou morrerás!
"As árvores somos nozes" - Entremundos
Indumentárias que te quero verdes, o desígnio do todo maior é amparado pela vontade interna, mínima e reflexiva, da consciência humana.
 
Não há nada mais desgostoso que a ação acompanhada de uma contra reação. Da construção acompanhada de desconstruções na base, nas estruturas, nas conseqüências.
Tratamos a ideologia como figura e figurino no cotidiano. Se der, me apresento, defendo idéias e tals. Se não, considero efetiva minha simples presença a agradeço aos céus por ao menos ter assinado a lista de presença garantindo a féria diária.
 
Processos participativos e democráticos demonstram a atual capacidade da sociedade de se enxergar, vivenciar e decidir sobre seu futuro. O presente tal qual Hércules, gigante e forte como ninguém, evapora a cada segundo: doze tarefas por dia, eu aposto com quem consegue mais!
 
Tratamos de decidir quando e onde teremos nossa primeira iniciativa contra o aquecimento global, a desigualdade social, o desfecho da novela das oito, etc. Meu tio disse que iria plantar mais árvores, pois as que plantou até hoje não deram certo. Culpa do sistema natural que não funciona direito sem altos custos, daquela tal de VIDA que se perdeu nos entremeios e sucessos da transgenia. Aliás, se fossem transgênicas e com NPK duvido que falhariam. Disse também que aquelas plantadas em 1984 ficaram desfiguradas e que seu irmão, talvez por ser muito grande, esmagou todos os seus pequeninos sonhos de uma vez: uma bola mal lançada, um centroavante mal posicionado e blum! Adeus mudinhas...
 
Não é porque estávamos em um churrasco de domingo, em uma festa de aniversário ou em um simples happy hour que não deveríamos nos preocupar com o futuro de nossas amigas. Desde o almoço o jovem, aquele garoto que mal sabe dos segredos e mistérios da vida e que estava de blusa azul babando no celular novo do primo, tem me dito a importância do xilema e do floema nos processos de sustentação da comunidade em que vive. Tinha dito que em sua comunidade quase ninguém se importava que os Paus-ferro  Jequitibás estavam sendo esmagados pelo novo salão de festas da empresa, que poderia fazer as vezes de espaço comunitário para os eventos convocados pela Igreja e Associação de Moradores aos finais de semana.
 
Afirmava que sabia que todos estavam preocupados com o desenvolvimento social, a grande oportunidade e o surgimento de novas perspectivas e negócios, mas não sabia até quando poderíamos agüentar sem a sombra da certeira hipótese de um vegetal: daqui eu não saio, daqui só o Homem me tira. Ficou sabendo no domingão a noite que um empresário de sucesso havia sido julgado pela justiça por danos ambientais e que agora deveria ajustar sua conduta através de investimentos na área de Meio Ambiente.
 
Bom, vá lá, vai ver que é pelas crianças. O ajustamento de conduta por si só garante a indulgência, a compra do paraíso. Pagando bem, que mal tem num mundo que passa anos brigando friamente por poder e liberdade para seguir o seu caminho, na terra dos outros, claro. Mal sabiam eles que na casa de Lenin as toalhas eram de seda... brancas! Sinal típico da burguesia, todo um mundo girou em torno de anjos e demônios, bem e mal, esquerda e direita. Se esqueceram que ainda existia o pra cima, pra baixo, de esgueio, pra cá um pouquinho... Se soubessem das toalhinhas brancas a história seria outra.
 
E falar em toalhinhas brancas me dá uma idéia, a de trégua. Quem nunca jogou a toalha branca pelas ações militares norte-americanas, pela política do governo brasileiro, pela comissão de formatura ou casamento que já encheu? Se está cheio, joga fora e compra outro! Usar os três R´s só se for pra reusar e reciclar o salário no final do mês. Reduzir é para as despesas!
 
Triste a sina de quem vive de complicações, mas culpado é sempre ele, o Outro. O melhor para não cansar é seguir o caminho e esperar - meu tio reclama que as árvores não deram frutos, mas a culpa não é dele e sim da natureza que não cooperou. Rezando dizem que ajuda.
 
É como se ninguém, ninguém pudesse tirar de cada um o que lhe cabe, o que lhe consome: a dúvida. Será mesmo que:

se eu cuidar de horta em casa diminuo o impacto do agronegócio no Pantanal?;
se eu colocar o lixo para reciclar eu reduzo a necessidade de produção na fábrica?;
se dedicar meu tempo como voluntário a pagar meu custo social minha comunidade melhora?,
se eu reusar minha água a seca não chega para quem tem o Rio Tiête ao lado?
 
Quando questionaram o jovem, claro que não sabia o que responder... exatamente.
 
Mas sabia falar de um montão de coisas! Sabia que nada do que já foi decidido pode ser mudado e o que vale é o futuro. Sabia também que importante era a opinião dos outros jovens, pois sozinho ele não sabe nem resolve nada. O essencial, que não devia faltar na sociedade, era o xilema e o floema. Um que leva e outro que trás e que no final os frutos são bons e com sementes. Reais, de verdade, que continuam a sobrevivência da espécie.

Antes que alguma justiça divina venha cobrar o ajustamento de conduta. Pode ser tarde demais.
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