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Douglas Lara
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Coluna Douglas Lara

Sorocabano, Bacharel em Cências Contábeis com mestrado em Controladoria e Gestão de Processo Comunicacionais. Idealizador e organizador da antologia internacional Roda Mundo 2006 e da Semana Internacional do Escritor de Sorocaba.

Famílias de Salto

Publicado: Quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A edição de “Famílias de Salto”, do historiador Ettore Liberalesso, só foi possível devido à insistência do cidadão saltense Pedro Rudini Tonello, o qual pretendia fazer algo pela cidade. Teve a idéia de unir em uma única publicação a série de matérias publicadas no Jornal TAPERÁ, ao longo dos anos pelo historiador Ettore Liberalesso, focalizando as famílias saltenses tradicionais, antigas e numerosas.
         
Missão impossível nesta resenha será abordar todas as famílias elencadas na obra e principalmente suas histórias e descendência. Muito porque, este trabalho já foi realizado com excelência por Ettore. Nossa meta será então, destacar fatos intrigantes de algumas dessas famílias, a fim de despertar em você leitor a curiosidade de conhecer a fundo os saltenses que muito contribuíram para o desenvolvimento de sua cidade.

Começando pelas famílias numerosas, uma delas foi a de Joviniano de Souza Freire, brilhante farmacêutico que pequena cidade carente de médicos, socorria a todos, principalmente os mais humildes. Atuou também na política saltense, na área de segurança. Outra família que em 1926 já era numerosa por somar 37 pessoas, hoje somaria cerca de 600 pessoas. A todo momento nas ruas de Salto é possível cruzar com trinetos e tetranetos da família Isola. “Haja Fertilidade!” – como uma vez publicou o “Cidade Jornal”.

As grandes famílias não param por aí. Dos velhos “Roma”, entre filhos, netos e bisnetos somam-se mais de 200 descendentes. O imigrante Zefferino Roma, o “Velho Roma”, comprou a chácara que passou a ter seu nome, que se tornara grande produtora conhecida nacionalmente de vinhos finos de mesa e licorosos, além de vermutes, conhaques, champanhes e vinagre.

Já os Zuim constituíram a família mais numerosa de Salto morando na mesma casa: 20 pessoas ao todo. No entanto, a família Piotto soma poucos descendentes hoje em Salto e a maioria com outros sobrenomes. Teve também a enorme família do famoso carreiro “Nhô Tristão”, João Manoel Rodrigues que recebera este apelido por o pai se chamar Tristão.

O jovem quase padre, Giovanni Lenzi, que veio de Pádova com sua esposa trabalhou em Salto como barbeiro e soma hoje quase 100 descendentes. Assim como o filho único de casal de imigrantes, Zelino Moschini, circulista, vicentino, sindicalista, político e amigo de padre João, constituiu numerosa família. Há também a família dos Maestrello, que é uma das poucas que após 100 anos, continua numerosa em Salto.

Dentre as famílias antigas, destaca-se uma, com 100 anos no Brasil e em Salto, a da Dona Maria Vitale, a única Liberatori remanescente em Salto. Hoje aos 88 anos, exerceu a presidência da Legião Brasileira de Assistência, assistindo os “pracinhas” expedicionários que foram lutar na 2ª Guerra Mundial.

A “Casa do Castellari” é ponto de referência em Salto. Há mais de 80 anos a família mora no mesmo endereço, numa grande construção que, além sempre ter abrigado numerosa família do maestro, foi seu escritório de engenharia e carpintaria. Outra família de músicos foi a de “Totico”, Antônio Pereira de Oliveira, a qual teve quatro gerações de compositores e regentes.

Há ainda, os De Stefano, com Pedro, que ajudou a reconstruir a igreja após incêndio e chegou a ser sacristão e seu filho, Paulo Luiz que ocupou o cargo de contra-mestre de Construções da Brasital.

Os tradicionais “De Angelo”, há mais de 80 anos exploravam pedreiras junto à Moutonné, arrendando suas terras a diversas famílias que viviam da extração do minério. Em 46 o geólogo Marger Gutmans confirmou a existência e importância de rocha granítica no local, sendo criado nos dias de hoje o Parque da Rocha Moutonnée.

Durante meio século, Alberico de Oliveira foi uma das pessoas mais conhecidas na cidade de Salto. Proprietário de quase uma quadra na região central, construiu o “Salão Alvorada”, local muito freqüentado pela sociedade saltense, sede de acontecimentos importantes como reuniões políticas, festas de casamento, bailes, churrascos.

Os moradores mais antigos de Salto conheceram certamente o casal José Costa Pinto, o “Zezinho”, funcionário da prefeitura e dona Anna de Almeida Pacheco. Dentre seus descendentes destacaram-se os dois irmãos Joseano e Josias, por terem se tornado líderes políticos e chagado a vereadores e prefeitos de Salto.

Os Speroni, assim como os Lammoglia que completaram 100 anos em Salto. José Francisco Archimedes Lammoglia, importante representante do clã, foi médico, advogado, jornalista, vereador, deputado estadual e secretário da saúde.

Em sua maioria, os imigrantes que vieram para o Brasil e também para Salto, foram Italianos. No entanto, os Grininger e os Ming foram duas famílias Suíças que se tornaram grandes proprietárias de terra em Salto.Os japoneses já somam meio século em Saltoe Akira Sakanoue foi um dos primeiros a chegar. Já a família de italianos, a do casal Clemente Martoni e Antoniella Passarella vieram apenas conhecer o Brasil gostaram tanto que liquidaram seus negócios na Itália e estabeleceram-se na zona rural de salto, comprando o sítio Joana Leite, com mais de 40 alqueires.

Outras famílias tradicionais são os “Castro”, referência em toda Salto, bem como os Padovani que em mais de 80 anos de história são muito estimados, sem mencionar os Nicácio, com Sebastião que fora carpinteiro, hoteleiro, lavrador, sitiante, dono de terras compôs uma antiga e numerosa família saltense.

Na família Padreca, Manoel Lúcio foi assessor ambiental buscando soluções para resíduos e descartados, cuja matéria- prima produz embalagens, livros, brindes, telhas, canetas e réguas. 

Os Andrietta e Martignon têm em destaque em sua família Antônio Andrietta que foi líder operário chegando à Secretaria Geral da federação dos Sindicatos fundando o Círculo dos Trabalhadores Cristãos de Salto e foi também fundador do jornal semanal daquele órgão “O Trabalhador”.

Há também os Lara, sim, meus ascendentes. Francisco Lara, avô dos Lara Lopes de Salto, era espanhol e mesmo possuindo bens em sua terra natal, lançou-se no mundo para o melhor de sua família. Deixou os irmãos cuidando de suas propriedades e partiu para o Paraguai, depois para a Argentina, não encontrando sucesso em sua empreitada. Em 1908 rumou para o Brasil tentando a vida aqui e acolá até firmar-se em Salto, onde montou uma padaria na antiga Sete de Setembro. Ali faleceu em 1941, quando já viúvo de Dolores Rodrigues, com a qual teve numerosa prole, destacando-se o Vicente, a quem daremos destaque, pois sua descendência foi a que ficou mais conhecida em Salto.

Vicente Lara nascido em 1900 veio com o pai da Espanha e casou-se em 1924 com Maria Lopes, que deu origem aos Lara Lopes de Salto, os quais com o pai, instalaram em 1950 uma modesta oficina impressora a “Gráfica Mirim”, mas que cresceu bastante, uma das boas empresas do ramo, principalmente pela estima que eram tidos os irmãos, José Lara Lopes e Francisco Lara Lopes,  proprietários da “Primograf”, novo nome da empresa, já então registrada sob a firma “ J. Lopes & Cia”.

Vicente e Maria tiveram outros 6 filhos: Mercedes Lara, Angelina Lara, Francisco Lara, Irene Lara,  e Antônio Lara, os quais, por sua vez, também se casaram e tiveram filhos, dando continuidade à descendência dos Lara Lopes.

Embora não conste da Obra de Ettore, pois o livro se destina a destacar as famílias de Salto, mas a título de ilustração, dos sete filhos de Francisco Lara e Dolores Rodrigues, dois irmãos vieram para Sorocaba: Antonio e Ramon Lara Rodrigues. Ramon casou-se com Victoria Salum Lara com quem teve dois filhos, eu, Douglas em 1938 e meu irmão, Dorival, em 1945.

Há também os Tonello, que já estão há quase um século em Salto, mas antes estabeleceram-se em Minas e Itu, bem como os Conte que contam com 100 anos de Brasil e 80 de Salto. A família Milioni também é centenária. Gildo continuou obras e feito do “Velho Roma”.

Saiba mais sobre as “Famílias de Salto” na obra de Ettore. Quem sabe sua história não passe por ali e você venha a conhecer mais sobre seu passado, ou simplesmente ser apresentado a pessoas que vieram de tão diferentes lugares, mas com o mesmo objetivo: construir seu espaço, suas vidas e o cenário escolhido foi Salto.
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