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Publicado: Sábado, 1 de junho de 2019

Cristo Comunica e o Mundo Não Dá IBOPE

Cristo Comunica e o Mundo Não Dá IBOPE
O desejo do Mestre é apenar ter uma audiência 100% fiel do nosso coração

Na liturgia católica existe uma solenidade chamada Ascensão do Senhor. Como o nome indica, remete ao dia em que, diante dos olhos esbugalhados de surpresa dos Apóstolos, Jesus subiu (ascendeu, ascender, ascensão) definitivamente aos céus. Encontramos tal relato, por exemplo, em Lc 24, 46-53 e At 1,1-11. Como já profetizava o Salmo 46: “Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!”.

Essa festa litúrgica é importante porque marca um tipo de nova fase para a Igreja que então estava apenas nascendo. Se antes os discípulos podiam estar com o Mestre, conviver e aprender diretamente dele, com a Ascensão não mais. O Cristo subiu e voltou para o seu lugar à direita de Deus Pai Todo Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. É o que prega a fé católica.

Com a Ascensão do Senhor, portanto, é como se Cristo dissesse: “Agora é com vocês! Já ensinei tudo que precisam saber! Vocês terão ajuda do meu Espírito Santo e irão espalhar meus mandamentos até os confins da terra!”. Demorou pra cair a ficha. Os Apóstolos ficarão tão deslumbrados, olhando pra cima pra ver Jesus sumir entre as nuvens, que quase saíram da realidade. Deve ter sido muito nonsense, uma vez que os milagres de Cristo contrariam o senso comum e a lógica humana!

Nos relatos bíblicos um anjo aparece logo depois da Ascensão de Cristo, com o objetivo de despertar os Apóstolos desse momento de estupefação. Ele disse algo como: “Ei, vocês aí! Jesus já subiu, já voltou pro Pai! Parem de ficar olhando pra cima e tratem de cumprir o que ele mandou, que é anunciar o Evangelho no mundo inteiro!”. E foi o que os discípulos de Cristo têm feito desde então.

Na solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja também instituiu, há décadas, o Dia Mundial das Comunicações Sociais, onde sempre ressalta a importância dos meios de comunicação, o seu dever de comunicar a Verdade, sua tarefa constante de colaborar para a paz, sua obrigação com a ética, seu compromisso com o bem comum, etc. Falar disso tudo nesta época maldita em que estamos, onde predominam as fakenews e o contrário de tudo o que vai acima, às vezes parece coisa de conto-de-fadas.

Qualquer pessoa de bom senso, sabendo deixar qualquer tipo de cristofobia e anticlericalismo de lado, deve concordar que Jesus de Nazaré é o maior comunicador que já existiu. Alguns acham que é o Sílvio Santos, mas o próprio Sr. Abravanel sabe que aquele jovem galileu é muito mais. Numa terra inóspita, dominada por nada menos que o Império Romano, Jesus iniciou a evangelização do mundo utilizando-se de homens e mulheres simples e rústicos, mas cheios de fé.

O que muitos não percebem é que a força da Igreja não vem dos seres humanos, das liturgias que celebramos e das normas que seguimos. A real força da Igreja vem do próprio Cristo e da poderosa mensagem de amor, transformação e eternidade que ela comunica. Utilizando-se de homens e mulheres de boa vontade, Cristo ainda comunica sua mensagem para o mundo, cada vez mais. Nas redes sociais, na televisão e no rádio, em artigos de jornal e revistas especializadas, milhões de discípulos comunicam o Evangelho, como Jesus pediu.

Jesus comunica, mas o mundo não dá IBOPE. Há muita gente de cabeça baixa, dando cabeçadas nos postes da vida, porque nunca se preocupou em olhar para cima procurando o Cristo. Tem muita gente cega, surda e muda, verdadeiros acéfalos na fé, porque não aceitam que Jesus é a cabeça da Igreja (cf. Ef 1,17-23). Há muita gente que afirma conhecer e gostar de Cristo, mas que não segue o que é transmitido por ele em sua mensagem.

O mundo não dá audiência a Cristo porque Cristo comunica a Verdade. Uma Verdade que vem da Sabedoria Divina e que incomoda os donos deste mundo. Uma Verdade que liberta e que é o único caminho a ser seguido, mas que causa para os discípulos do Nazareno inúmeras perseguições, incompreensões, calúnias, martírios vermelhos (de sangue) e brancos (de cunho moral).

Muitos morreram propagando e defendendo a Verdade ensinada por Cristo. Milhões de homens e mulheres que, por sua fidelidade, alcançaram a glória celeste. E para que tem Fé, não obstante as tristezas desta vida, o que importa mesmo são as alegrias da vida eterna. O sonho de todo cristão deveria ser o de também subir aos céus, ascender deste mundo para viver para sempre diante de Deus.

Comunicar e defender a Verdade de Cristo, neste mundo malditamente acossado pela praga do politicamente correto, é um desafio aterrador. Estamos numa era em que é preciso reforçar obviedades, praticamente dizendo que a grama é verde e que a vida de cada ser humano é sagrada em si mesma, desde in utero. São muitos os escravos lobotomizados por ideologias falsas e mentalidades erradas.

É preciso coragem. Quem fala verdades perde amizades. Quem defende a Fé recebe o ódio de uma multidão obstinada de anti-cristos. Neste mundo, ser amigo de Jesus também não dá muito IBOPE. A gente é taxado de “radical” e “intolerante”, de “machista” e “homofóbico”, et caterva. A gente é chamado de “polêmico”, como se fosse algo pejorativo, da parte dos que confundem apologética com polêmica.

Quem diz inverdades e faz ataques grosseiros a Cristo e à sua Igreja, não quer reações. É pra gente ouvir e ficar quieto? Jamais! Ai de mim se não defendo a Fé diante dos seres humanos! Comigo não, violão! A postura covarde e omissa diante das inverdades, contradições e maldades do mundo não foi o que eu aprendi de Cristo, dos mártires e de tanta gente que deu a vida pela Fé.

Ainda bem que Jesus não liga para o IBOPE. Lá das alturas, no seu trono glorioso, o desejo do Mestre é apenar ter uma audiência 100% fiel do nosso coração. É assim que, um dia, subiremos até Ele.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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