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Publicado: Segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Uma Farsa Chamada Zumbi

Crédito: Internet Uma Farsa Chamada Zumbi
Ao homenagear Zumbi os brasileiros são feitos de palhaços, pois tecem loas a quem não merece.

Recordando: ao perderem a revolução armada pela qual pretendiam comunizar o Brasil na década de 1960 e 1970, a esquerdalha nacional aderiu aos ideais de Antonio Gramsci e decidiu-se por lutar na revolução cultural. Dominando a imprensa, as universidades e a indústria cultural como um todo, tratou logo de construir, disseminar e oficializar narrativas históricas falseadas de acordo com os seus interesses. É por isso que, após um sério trabalho de diversos historiadores revisionistas, aos poucos vai-se quebrando essa mania falsa de contar a vida brasileira dos séculos passados.

Uma das maiores farsas construídas no Brasil gira em torno da figura do chamado Zumbi dos Palmares, pessoa a quem, imerecidamente, prestam-se homenagens no Dia da Consciência Negra (embora a “consciência” seja algo intangível e imaterial, não podendo, portanto, ser classificada com base em paletas de cores). Cruel senhor de escravos nos quilombos, ele é erroneamente visto como um verdadeiro líder democrata nos tempos do “cruel” Império.

O falso mito em torno de Zumbi consolidou-se a partir da militância do jornalista Décio Freitas. Gaúcho, amigo de ícones esquerdistas como Leonel Brizola e seu cunhado Jango Goulart (no Sul dizem “gulárte”), ele criou uma histórica bonitinha em livros como “Palmares: a Guerra dos Escravos” e “O Maior Crime da Terra”. Confiramos a ficção.

Com base em cartas “encontradas” (mas nunca mostradas), Décio Freitas publicou relatos de um tal Padre Antônio Melo, da Vila de Porto Calvo, nos quais afirmava que Zumbi teria crescido num convento em Alagoas, batizado com o nome de Francisco. Por volta dos 15 anos de idade, teria ouvido o chamado do seu povo para lutar contra a opressão imperialista, fugindo para o quilombo. Lá teria se transformado um destacado líder, bondoso e paterno ao estilo comunista, dirigindo uma sociedade igualitária e sem opressões, vencendo assim uma verdadeira “luta de classes” em pleno século XVII.

Essa porcariada toda, fantasiada pelo historiador marxista Décio Freitas, ganhou ares oficiais a partir da década de 1980. Absurdo total é que Zumbi dos Palmares consta ainda hoje no Livro dos Heróis da Pátria da Presidência da República, com base em toda essa série de inverdades. O Brasil é um país no qual os heróis de verdade são ignorados e os heróis de mentira são admirados.

Com base em pesquisas sérias de historiadores como Flávio Gomes, Andressa Barbosa dos Reis e Claudio Pereira Almir, pode-se constatar que as farsas históricas de autores comprometidos com o marxismo, como Joel Rufino dos Santos e Clóvis Moura, transformaram Zumbi em algo que ele jamais foi de verdade.

Hoje é consenso que Zumbi era dono de escravos, algo fiel ao contexto histórico do século XVII. O processo de rejeição ao sistema escravocrata, oriundo do Iluminismo, só chegaria ao Brasil muito tempo depois, com o movimento abolicionista da segunda metade do século XIX. Nem todos os negros fugiam para o quilombo. Muitos eram capturados por Zumbi em fazendas vizinhas, para continuarem trabalhando como escravos. Tinha-se um pouco mais de liberdade, mas o sistema de punições com correntes e chibatas, era o mesmo.

Semelhante ao sistema utilizado por qualquer máfia, ninguém podia deixar o quilombo. A opção era fugir ou morrer tentando, mas não valia muito a pena. Como eram raras no Brasil daqueles tempos, as mulheres negras também eram sequestradas para trabalhar forçadamente e realizar outros servicinhos bem ao infeliz gosto dos senhores de engenho de então. Zumbi e sua turma viviam da realização de saques em ataques a povoados próximos, bem como da prática de extorsão, cobrando tributos em mantimentos, dinheiro ou armamentos.

Portanto, qualquer pessoa de intelectualidade minimamente honesta, estando atualizada sobre os estudos mais recentes, há que aceitar o fato de que essa e outras historiografias de viés marxistas não se sustentam mais. “O tempo é o senhor da razão”, afirma o ditado. Nada como o passar dos séculos para trazer à tona a Verdade que nos liberta sempre.

É claro que não me incomodo com a homenagem a pessoas negras. Isso nunca, jamais. O que me incomoda, sempre, é a mentira. Ao homenagear Zumbi os brasileiros são feitos de palhaços, pois  tecem loas a quem não merece. Se é pra homenagear pessoas negras que realmente ajudaram a construir o nosso Brasil, por que não falar de Nilo Peçanha (o primeiro presidente brasileiro negro); Ernesto Carneiro Ribeiro (biomédico, professor, linguista e filólogo); Cruz e Sousa (escritor abolicionista conhecido como “o Dante Negro”); Luiz Gama (escritor e jornalista abolicionista); Francisco José do Nascimento (o “Chico da Matilde”, conhecido como Leão do Mar); etc?

Façamos homenagens aos nossos heróis! Mas que sejam heróis de verdade, caso contrário as nossas homenagens servirão apenas para continuar entupindo a latrina da falta história.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é seminarista na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Simplício: Um Contador de Histórias - Vida e Obra de Francisco Flaviano de Almeida".

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