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Publicado: Sábado, 16 de março de 2019

Sozinhos somos grandes, mas juntos somos gigantes

Crédito: Google Sozinhos somos grandes, mas juntos somos gigantes
Exemplo de união

Há cerca de cem anos, após a Primeira Guerra Mundial, surgia o termo ‘trabalho em equipe’ e também ‘trabalho em grupo’, que pode ser descrito como um conjunto de pessoas que se esforçam para atingir um determinado objetivo. No caso da guerra, um dos objetivos era conquistar poderes ‘político-minerais’ o que levou a união de pessoas e nações para este fim. Desde então, os termos têm sido usados e entendidos de diversas formas.

Aqui vale uma aspas: Existe um ‘Grand Canyon’ de diferença entre esses dois termos. O primeiro – trabalho em equipe – de forma bem simples, é juntar pessoas para desenvolver ações que visam um propósito em comum. O ponto crucial é que os integrantes dessa equipe sabem, detalhadamente, o papel que cada um tem e que estão diretamente interligados, isto é, todos agem de forma simultânea, são responsáveis pelo produto final. Tudo é para o bem de todos!

No segundo termo – trabalho em grupo – obviamente também existe um propósito, porém, os integrantes não sabem ou não se preocupam com o que os demais estão pensando, sentindo ou o que farão em relação às tarefas a serem exercidas, portanto o resultado do todo não tem tanta relevância. Podemos definir esse processo como individualista.

Uma equipe pode ser um grupo, mas nem todo grupo pode ser uma equipe!

 

Fazendo uma analogia do trabalho em grupo

Quando o homem se transformou em caçador, ele era o único responsável por obter comida para sua sobrevivência. Mas, para capturar as caças grandes necessitou da ajuda de outros. Assim, se formaram grupos cujos membros trabalhavam em colaboração para sobreviverem aos perigos e limitações do ambiente.

Na agricultura, o homem abandonou as cavernas, mas manteve presente o comportamento grupal, o mesmo aconteceu na etapa artesanal, havia o grupo de aprendizes que era instruído pelo mestre artesão.

Com a Revolução Industrial, surgem as formas padronizadas de trabalho e são desenvolvidos sistemas de administração e controle baseados em estruturas hierárquicas. As relações ocorrem de forma verticalizada. É um sistema de gerenciamento "ideal" para controlar sistemas de produção estáticas e inflexíveis, onde a gerência maneja a informação e toma as decisões. A ênfase é no individual e cada responsável cuida de seu espaço territorial. Tudo acontecia de forma bastante previsível.

Hoje uma nova revolução emerge, centrada na informação e comunicação. A previsibilidade e a certeza da era industrial já não ocorrem, pois não existem verdades definitivas. É necessário saber lidar com a complexidade, incertezas e o enorme volume de informações e mudanças.

 

Exemplos a seguir

Em se tratando de trabalho em equipe, o tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, tem uma frase que ainda hoje tem muito a nos ensinar e inspirar. Sua reflexão diz – “Eu sou parte de uma equipe. Então, quando venço, não sou eu apenas quem vence. De certa forma termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas!”. O ensinamento que ele nos traz é o de que ninguém faz nada só e de que, para trabalhar em conjunto, ter consciência do valor da contribuição do outro faz toda diferença na construção dos resultados.

E você? Sabe trabalhar em equipe? Faço esta pergunta por que esta competência é uma das habilidades mais valorizadas atualmente pelo mercado de trabalho e de forma alguma deve ser negligenciada. Embora todos os profissionais tenham suas próprias competências, somente quando seus conhecimentos, ideias e suas experiências se equalizam, é que os grupos ficam de fato mais fortes, preparados e competitivos.

Neste sentido, fomentar o trabalho em equipe é um desafio, não apenas das empresas brasileiras. Em todo o mundo, as organizações de todos os segmentos e portes estão buscando modelos mais efetivos para formar, coordenar e alinhar seus grupos de profissionais e fazê-los somar suas forças. Neste sentido, uma pesquisa realizada pela Deloitte, empresa de consultoria, em mais de 130 países, constatou que apenas 38% das grandes organizações têm políticas efetivas focadas na formação de times visando o trabalho em equipe. Ou seja, ainda há um longo caminho para que a cultura do real trabalho em equipe entre nas empresas e se torne a peça chave para o crescimento de todos.

Gosto de fazer analogias com a natureza para exemplificar ainda melhor o assunto em questão e um ser que se encaixa direitinho dentro desse contexto é a formiga.

Cada formiga tem um papel muito bem definido em seu formigueiro e, através de um excepcional trabalho em conjunto (lê-se equipe) elas realizam atividades complexas como estocagem de alimentos, controle de natalidade e expansão territorial. Observar o comportamento desses insetos faz o trabalho em equipe parecer a coisa mais simples e previsível do mundo. Como insetos irracionais conseguem tamanha proeza?

Talvez, uma possível explicação seja o fato de que as formigas não têm aspirações individuais. Formigas são seres desprovidos de vaidades e sonhos, como qualquer ser irracional que se preze. Por isso elas não sentem a menor necessidade de serem reconhecidas por seu desempenho, nem de galgarem andares hierárquicos no formigueiro e muito menos de se realizarem como insetos. Não há registros de paralisações ou de revoluções operárias entre as formigas. Já nas organizações humanas...nem precisa falar.

Outra possível explicação é o fato de que esses insetos não são vulneráveis aos ventos da desmotivação. Aliás, desmotivação é para o bicho homem, que é um ser racional e por isso tem necessidades insaciáveis a cada estação. As formigas são sempre ativas, pois dentro de cada uma delas arde a chama implacável da auto-motivação gerada pela ditadura do instinto animal e perpetuada pela mãe natureza.

Quem já parou para observar os comportamentos dos animais e dos insetos entende bem isso. A natureza nos ensina, fortemente, o que é união, o que é ajudar o outro pensando no todo, em todos, o que realmente significa o Trabalho Em Equipe.

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Criando Consciência

Rafael Ramires

Rafael Ramires

Jornalista formado pela Faculdade Prudente de Moraes (FPM), trabalhou em diversos veículos da cidade, região e capital. Atualmente é coach e atua como assessor de imprensa e desenvolvedor de marketing digital para empresas.

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