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Publicado: Domingo, 23 de julho de 2017

Será possível formar novos neurônios?

Observa-se que com a prática sistemática e contínua de atividade física, tem como consequência um melhor funcionamento do organismo, desenvolvimento de músculos mais robustos, ossos mais resistentes e coração também mais eficiente, enfim, levando a um corpo mais saudável e também a um estilo de vida harmônico. Apesar dessa jornada ser bastante extensa em relação aos estudos que buscam entender como pode ocorrer o aumento da performance da mente humana, já existem inúmeros trabalhos de cunho científico que retratam a enorme importância da prática esportiva no campo da neurologia, especialmente quando se pensa em tratamento para coadjuvar na melhoria da mente humana.

O nascimento de novos neurônios ou neurogênese como conhecido na comunidade científica, já é bem elucidado e entendido na atualidade por pesquisas que contrapõem as opiniões correntes e dogmáticas antigas que não seria possível o nascimento de novos neurônios em humanos adultos, teoria corroborada por Pasko Rakic, da Universidade de Yale, que afirmou em artigo publicado na revista Science que a neurogênese não ocorreria em cérebro de primatas (RAKIC, 1985). Desde então, a estabilidade do número de neurônios é usada para explicar o processo de aprendizagem contínua e memória, além de justificar a inevitável degradação das funções nervosas com o avanço da idade, a qual seria causada pela morte de neurônios que não seriam mais repostos.

Mas essa teoria não é aceita na atualidade, devido aos avanços nos estudos realizados por pesquisadores na área de neurologia, como o trabalho conduzido pelo grupo da doutora Elizabeth Gould, onde foi usada técnicas mais recentes de avaliação de formação de novos neurônios, reportando sim a existência do nascimento de novas células nervosas especialmente em primatas adultos (GOULD et al, 1998 GOULD et al, 1999). O mais importante é que os novos neurônios foram encontrados em locais supostamente responsáveis por funções complexas, como memória, tomada de decisões e reconhecimento de formas. Em situações de doenças neurológicas como o Alzheimer e depressões crônicas e patologias incapacitantes esse processo parece não ocorrer.

Segundo um trabalho de mestrado realizado (GERRA et al, 2012), essa formação em adultos é possível, e os artigos que compilam como este processo possa ocorrer em humanos, são observados em indivíduos que praticam atividade física regular, especialmente as que possuem características de mudança de direção e que possuam forte intimidade com a utilização da força muscular, exercícios de estímulo cognitivo, sono reparador, desafios intelectuais, como: aprender uma nova língua, fazer palavras cruzadas, buscar um estilo de vida saudável com a ingestão de alimentos que nutrem o corpo e também a mente, vínculo social agregador que possam gerar um aprendizado novo, e especialmente evitar eventos estressores, pois o estresse literalmente mata os neurônios.


Referências científicas utilizadas na elaboração deste artigo:

GOULD E, REEVES AJ, GRAZIANO MS, GROSS CG. Neurogenesis in the neocortex of adult primates. Science 1999 Oct 15;286(5439):548-52.

GOULD E, TANAPAT P. Stress and hippocampal neurogenesis. Biol Psychiatry 1999 Dec1;46(11):1472-9.

GOULD E, TANAPAT P, MCEWEN BS, FLUGGE G, FUCHS E. Proliferation of granule cell precursors in the dentate gyrus of adult monkeys is diminished by stress. Proc Natl Acad Sci U S A 1998 Mar 17;95(6):3168-71.

http://hdl.handle.net/10400.26/14140 

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Pedro de P. L. Aguiar

Pedro de P. L. Aguiar

Graduado em Educação Física pelo Ceunsp; Pós-graduado em bioquímica, fisiologia, treinamento, nutrição desportiva pela Unicamp; e Pós-graduando em fisiologia do exercício com ênfase em envelhecimento, saúde e doenças na USP.

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