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Publicado: Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A velhice chegou...e vai ficar por muito tempo

                             “A única categoria social que todo mundo é ou vai ser é velho” (Mirian Goldenberg).


 Você pode ser homem, mulher, negro, branco, homo ou heterossexual, não importa. Você já é ou será velho um dia. Ou melhor, de acordo com o politicamente correto, você será classificado como idoso, do grupo da terceira idade ou da melhor idade. Os termos “velho” e “velhice” são carregados de preconceito, mas mudar o nome das coisas não altera em nada a natureza delas. Favelas, por exemplo, passaram a ser chamadas de comunidades, mas nada mudou na vida dos favelados.
 Oficialmente uma pessoa é idosa a partir dos 60 anos. A partir dos 75 anos se torna um ancião e depois dos 90 é um velho avançado. Acontece que tanto quanto as fases da infância e da juventude, a velhice é o melhor lugar para existir. A vida adulta é uma pressão constante pelos compromissos com a formação, o casamento, os filhos, a carreira, uma verdadeira maratona, exaustiva e frenética. Já a infância e a velhice são momentos de calma, serenidade, liberdade e desprendimento. A velhice até é melhor que a infância e juventude, pois não há pressão dos pais nem dos familiares.
Como fazer da inevitável velhice uma fase prazerosa? Há consenso entre os especialistas sobre a necessidade de um projeto de vida para a velhice, da mesma forma que projetos de vida ocuparam a existência da pessoa durante a jornada até a maturidade plena. Que tal aprender a tocar um instrumento? E escrever um livro? Ou dançar até dar bolha nos pés? Ou ajudar as pessoas carentes? A competição, carrasca dos prazeres, não está mais presente, então você é livre para sonhar, divertir-se, errar e recomeçar. O tempo está a seu favor, não contra, como imaginam alguns. Os avanços na medicina e a adoção de hábitos saudáveis deslocaram a morte para além das fronteiras dos 80 e 90 anos. Então, o que você vai fazer com todo este tempo ao seu dispor?
Vejamos o caso das mulheres brasileiras. Muitas dizem que ficaram invisíveis depois dos 40 anos. Ninguém olha para elas, os homens não as cobiçam, os jovens evitam a presença delas. A cultura nacional glorifica a beleza e a juventude. Na Alemanha, as mulheres de 70 anos não dão bola para os rótulos e vivem felizes carregando suas rugas, cabelos brancos, passos vacilantes e um imenso sorriso na cara. No Brasil já vemos muitas frequentando academias, bailes, excursões e passeios pelo mundo, sem se importar com as gordurinhas e estrias expostas. O que vale é o projeto de viver intensamente ao lado de quem mais gosta.
A antropóloga Mirian Goldenberg propõe em seus livros e palestras a invenção de uma bela velhice, construída sobre um projeto de vida. E destaca dois elementos básicos e essenciais para alcançar a bela velhice: liberdade e segurança. A liberdade se conquista fugindo dos vampiros emocionais, que roubam seu tempo e energia. Também se ganha a liberdade tendo vida própria, independente dos filhos e netos, não se deixando escravizar por eles. A segurança decorre do planejamento financeiro durante a vida laboral ativa, formando uma poupança para complementar a aposentadoria do INSS, se você for um trabalhador da livre iniciativa.
Junte, então, a segurança do patrimônio poupado com a liberdade conquistada e formule seu projeto de vida, tão divertido, interessante e prazeroso como você jamais pode sonhar!
É de Nelson Rodrigues a frase: “Jovens, envelheçam depressa, envelheçam com urgência”.

 

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O Lado Humano

Orlando Mazzuli

Orlando Mazzuli

Consultor empresarial em Gestão de Pessoas. Ex-Executivo internacional de Finanças e RH. Coach Executivo. Conselheiro da ABRH - Associação Brasileira de RH e membro do G3RH. Articulista sobre Economia, Gestão de Pessoas, Comportamento e outros temas.

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