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Publicado: Terça-feira, 6 de junho de 2017

Nós continuamos vencendo todo dia

Crédito: Isabele Armenio Nós continuamos vencendo todo dia
Imagem do Show - Festival Breja das Almas

Amo relatar experiências vividas. Sou fã de diários, biografias, histórias. E gosto ainda mais de relatar sobre experiências com coisas que são importantes e me marcam.

Sou um grande fã de música e, em especial, de trabalhos independentes. E eu sinto demais a energia que este tipo de arte transmite, porque ele transcende os padrões que definem o que é e o que não é bom. Esses trabalhos me fazem acreditar que tudo é possível. Uma banda que resume isso se chama Lupe de Lupe.

A primeira ouvida a essa banda é sempre chocante. Toda a barulheira meio desconexa, envolta num vocal exótico e grave da voz de um homem que dedica e vive sua vida da música que produz. E ele produz cada vez mais, ele é imparável. Ele já venceu. Vitor Brauer.

Na cara e na coragem, pela segunda vez, nessa com mais dois amigos, Jonathan Tadeu e Fernando Motta, que tentam levar a vida da mesma maneira, produzindo e eternizando seus pensamentos e sentimentos, ele caiu na estrada numa turnê de 54 shows, que vão do Acre até o Rio Grande do Sul.

No meio desse caminho, eu também achei que era capaz e consegui graças aos meus amigos e minha namorada (que não me deixou enlouquecer e me deu o maior apoio que alguém já me deu em algo que fiz na vida) fazer um desses shows acontecer na minha cidade, Itu.

Fiquei nervoso 3 meses antes. Briguei, chorei, me irritei, me aliviei, tive idéias. Tudo pra proporcionar bons momentos para mim, para os meus amigos e para as pessoas que admiro e que me dão base para que eu siga acreditando que tudo é possível e que todo mundo é capaz.

Chegado o grande dia, especialmente horas antes, o nervosismo me corroia. Eu tinha um olhar vazio e penetrante, direcionado ao nada. Eu andava pelos cantos da chácara que alugamos, tentando não enlouquecer, captando expressões, gravando os detalhes, projetando as próximas horas, conferindo as redes sociais mas sem prestar atenção a nenhuma informação que me chegava.

As pessoas chegando, os amigos, as bandas, o som sendo montado, a cerveja gelando. A cada momento eu via a minha criação acontecer e me alegrava. Eu parecia Deus, contemplando sua criação no sétimo dia. Eu já tinha vencido.

Os shows foram espetaculares e todos os momentos que eu imaginei passaram ali, bem na frente dos meus olhos. Vitor, que aprendeu há POUCOS MESES a tocar bateria, não só o faz com muita energia durante a turnê, mas também CANTA ao mesmo tempo. Mais marcante ainda foi vê-lo filmar, com uma câmera na boca, uma das canções.

Eu, embriagado pelo álcool e por todas as emoções, alcancei o ápice ao cantar no microfone, ao lado dos meus maiores amigos, com os caras que admiro tocando, os versos que mais ficaram talhados no meu coração nos últimos meses...

“I'm leaving, on the next plane

I don't know when I'll be back again

Kiss me and smile for me

Tell me that you'll wait for me

Hold me, like you know I'll never go

Even though you know I will

I'm a travelling man”

 

Acreditem e façam, não esperem acontecer. Todo mundo é capaz.

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Deixa eu pensar

Marcelo Sandy

Marcelo Sandy

Marcelo Sandy é um jovem ituano, palmeirense, aspirante a cronista. Escreve textos reflexivos que levam os leitores a pensar sobre diversos temas. Seu foco principal são as crises existenciais do ser humano.

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