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Publicado: Sexta-feira, 26 de julho de 2019

O "Rei Leão" e a chatice dos tempos

Crédito: Domínio Público O "Rei Leão" e a chatice dos tempos

ASSISTI, EM 1994, AO "REI LEÃO" - aclamado pela crítica e pelo público como sensacional. O filme saiu de cartaz como a maior bilheteria daquele ano e a segunda em todos os tempos, perdendo apenas para “Jurassic Park”.

Foi arrebatador – e olha que eu nem era mais jovenzinha.

Música, enredo e animação ganharam vários prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original (Hans Zimmer), Melhor Canção Original ("Can You Feel the Love Tonight", de Elton John e Tim Rice) e o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical.

O Rei Leão foi o primeiro longa-metragem de animação da Disney criado a partir de uma história original, diferente das obras anteriores baseadas em trabalhos já existentes.

Natural que eu e milhões de pessoas retornassem às salas de cinema para assistir o remake, em 2019.

O tão aguardado live-action sobre a alcateia de leões liderada por Mufasa, Scar e Simba foi feito inteiramente com efeitos especiais e em computador, o que dá aos animais a aparência de reais.

O lançamento provocou uma chuva de comentários técnicos e “outros”. Os técnicos se referem à maior duração e melhor ambientação da floresta, troca dos nomes de alguns animais e uma exibição em 3D que nada acrescenta a outros trabalhos.

Já os “outros”, abordam questões como: “Leão é carnívoro, não vive de vegetais e larvas, o que ilude as crianças”; “Não é o rei da floresta”; “As fêmeas mantêm uma sociedade matriarcal e dividem as tarefas comunitariamente. São elas que emboscam e matam as presas, e não o macho”; “Não existe apresentação de bebês à comunidade animal” (aff) e, ainda, “Personagens criados em animação 3D que se comportam de forma muito parecida com um ser humano na vida real, provocam uma sensação de estranheza e impedem que o público se conecte com eles”.

Para os agora adultos e velhos que reviram o filme, é bom lembrar que podemos voltar ao mesmo lugar, mas jamais ao mesmo tempo da fantasia e dos sonhos juvenis.

É mesmo necessário que tudo o que assistimos, participamos e pensamos hoje deva passar pelo crivo da racionalidade, da lógica e do politicamente correto?

Gente triste essa, que perdeu a capacidade de se encantar e, apenas por alguns instantes, deixar de lado a sisudez dos tempos bicudos..

O “Rei Leão” é apenas uma animação com um roteiro bem simples. Não é possível apenas se permitir o prazer da diversão?

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História & Cotidiano

Katia Auvray

Katia Auvray

Historiadora e escritora. Autora dos livros "Cidade dos Esquecidos - A vida dos hansenianos num antigo leprosário do Brasil" e da coleção infanto-juvenil "Magia da História", sobre a história da cidade de Salto/SP. Também é Mestre Reiki.

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