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Publicado: Sábado, 4 de maio de 2019

É filho de quem?

É filho de quem?

A geração das projeções: a escola projeta nos pais, que por sua vez projetam nos filhos e cada vez mais está se fortificando o pensamento de que se vive no tempo dos “transtornos”. Toda e qualquer conduta e comportamento, qualquer diferenciação, transformou-se numa doença, que precisa ser tratada, medicada, erradicada, anestesiada, justificada.

 

Se o problema não está na escola, não está nos pais, não está na sociedade, onde está o problema das novas gerações? Quem será responsabilizado pelas catástrofes que preenchem os noticiários com carnificinas e absurdos?

 

Se os pais não forem os responsáveis pela educação de seus filhos, então quem será? Se as pessoas que idealizaram, gestaram e criaram uma nova vida não se colocarem na posição de sujeitos de sua própria história e começarem a pontuar, limitar e regrar a existência de suas crias, quem fará o árduo papel no processo de educar?

 

A escola dá continuidade ao processo que se inicia em casa. Não é um espaço que tenha condições de educar crianças partindo do zero, até porque essas crianças não estão na totalidade do tempo nos espaços educacionais.

 

As crianças não nascem detentoras do conhecimento necessário, e muito menos habilidades, para viver coletivamente, elas precisam ser ensinadas e como fazer isso em tempos tão autônomos?

 

O Google não traz a experiência e nem o afeto, apenas informação vazia de significado.  Quando se faz a escolha de colocar um ser humano no mundo, é necessário ter a consciência que esse ser humano dependerá de você para quase tudo nos anos iniciais e continuará assim por um longo tempo. São tempos hostis, não dá para largar uma criança a própria sorte e acreditar que tudo se resolverá sozinho.

 

Onde estão os pais e/ou cuidadores? Onde está o afeto, o desejo? Onde está o tempo dispendido para o educar? Coloca-se crianças no mundo e se terceiriza sua educação, como se produzir um ser humano, um cidadão, fosse uma peça de produção em série.

 

A escolha da criação deve ser responsabilizada, pois senão tudo se transforma num relativismo sem fim. É filho de quem? Quem é responsável pelo processo de educar? Quem deve transformar a vida em um cidadão apto a estar coletivamente?

 

Quanto antes os pais e/ou cuidadores entenderem os seus papéis no denso e contínuo processo de educar um ser humano, logo conseguiremos talvez deter o aumento profundo das bizarrices sociais, da carnificina, do absurdo, da hipocrisia humana e partir rumo a um coletivo mais consciente de suas escolhas e consequências.

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Ana Paula Cavalheiro

Ana Paula Cavalheiro

Formada em Ciências Sociais pela USP-SP, Psicologia pela Unimep e especialista em Psicopedagogia. Faz atendimentos psicológicos clínicos particulares, presta assistência na Delegacia da Mulher e produz artigos que retratam temáticas existenciais.

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