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Publicado: Quinta-feira, 25 de maio de 2017

O velório do farmacêutico

"Era tão bão, né? Eu procurava ele primeiro, depois o médico...", murmurou a velha que chegou antes do defunto no salão. O rapaz, que montava o cenário para receber o féretro, escorou-se na treliça e contou: "Certa vez, a necromaquiadora não pode vir trabalhar por um dos parentes dela lá ter morrido e eu caí em febre de uma gripe forte. Nunca morre ninguém nessa cidade, mas naquela madrugada o pedreiro havia pegado a mulher com outro homem na cama, saiu desembestado e acabou embaixo do caminhão da CPFL, naquele famoso atropelamento da Rodovia do Açúcar. Tive que vir. Mas não me aguentava em pé. Lembrei dele e de suas miraculosas curas repentinas apregoadas à quatro ventos. Entrei na farmácia, ele preparou um coquetel e apontou a seringa contra a luz pra dar aquele peteleco na ponta da agulha e me furar. Não estava sorrindo. Ontem a mulher o trocou também". A velha torceu o nariz e praguejou: "Que o Diabo lhe carregue!". Pegou sua sacolinha, a sombrinha e foi pra casa cuidar do gatinho.

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Conto... ou não conto?

Alex Pinheiro

Alex Pinheiro

Consultor em Turismo Receptivo e Turismo na Internet, exerce na literatura o seu desafio pessoal '1000 caracteres de uma história'. É colunista do jornal Taperá (Salto-Itu-Indaiatuba)

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