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Publicado: Terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Calcanhar de Aquiles e o Nosso

Crédito: Internet O Calcanhar de Aquiles e o Nosso
Quem se julga muito forte, tenha cuidado. E quem tombar ferido, levante-se o mais rápido possível.

Já não fazem heróis como antigamente! Hoje a indústria cultural nos apresenta Batman, Homem Aranha, etc. Nas escolas (e até nas Universidades) há quem veja heroísmo em Che Guevara ou Zumbi dos Palmares (sic!). Via de regra, ninguém mais aprende as antigas mitologias greco-romana, africana, árabe ou oriental... 

É uma pena, pois estão repletas de personagens encantadores. Os mitos, como se sabe, não correspondem ao mundo real. São cheios de deuses e feitos mágicos. Porém dizem muito acerca da realidade humana. Nem sempre um mito é construído com base em mentiras.

Aquiles é um dos mais conhecidos heróis da literatura clássica. Seus feitos são narrados em muitos escritos, principalmente na "Ilíada", de Homero. Cheio de virtudes, era belo e prudente, honesto e esperto, corajoso e forte. Conforme um poema de Estácio, autor do século I, foi mergulhado no rio Estige para que seu corpo ficasse invulnerável. Assim aconteceu, menos com o seu calcanhar, pois foi por ali que Aquiles foi pendurado pela ninfa do mar Tétis na hora do mágico mergulho.

Num imbróglio de morte e vingança, digno das grandes tragédias, Aquiles foi atingido por uma flecha envenenada justamente no calcanhar. Desde então a expressão "calcanhar de Aquiles" atravessou os séculos para significar até hoje um "ponto fraco".

Por mais virtudes que possamos ter, em qualquer contexto, todos lidamos com o nosso próprio calcanhar de Aquiles. Soberbos que somos (mesmo que a maioria de nós não o perceba), focamos apenas em nossos pontos fortes (qualidades). A vida se encarrega de nos tornar humildes, disparando várias flechas na nossa direção. Todas atingem o nosso calcanhar de modo certeiro.

No mito Aquiles perece. Na vida real temos oportunidade de reagir. Nesse ponto levamos vantagem em relação ao herói. Mesmo feridos conseguimos nos recuperar e ficar em pé outra vez. Levantamos, sacudimos a poeira e damos a volta por cima. Se mil vezes temos o calcanhar ferido, mil e uma vezes temos a chance de recomeçar.

É necessário viver essa dinâmica com naturalidade. A vida é assim mesmo. Quem se julga muito forte, tenha cuidado. E quem tombar ferido, levante-se o mais rápido possível. Estejamos todos atentos às flechas, cuidando do nosso próprio calcanhar. Possamos, de tal modo, dar passos firmes na luta diária, vencendo diuturnamente as nossas pequenas e grandes batalhas existenciais.

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista e professor, iniciou sua carreira em 1996. É colunista do Itu.com.br desde 2005 e membro da Academia Ituana de Letras desde 2011. É seminarista na Diocese de Jundiaí, atualmente cursando Teologia.

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