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Publicado: Quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A artesã e a mãe

A artesã e a mãe
Imagem Ilustrativa

Em uma noite, tranquila e acolhedora, em que o céu encontrava-se com poucas nuvens e iluminado com inúmeras estrelas. A artesã, com toda sua delicadeza e sabedoria, apanha sua ferramenta de trabalho. Então, se inicia a incrível jornada mágica da construção de um projeto, repleto de sentidos e significados. No cuidadoso encontro, da extremidade da agulha no aglomerado de lã alvorece a constituição de uma cachoeira de sentimentos e pensamentos, adoçando e intensificando a obra a se conceber. Desta forma, concatena-se o futuro, através do aqui e o agora, envolvido com as intensas tranças de sabedorias e experiências do passado.

Aos poucos, se inaugura os primeiros e fundamentais movimentos, ainda tímidos acabam se apresentando, sendo vistos, algo vai se construindo, se formando! Um mínimo, entretanto valioso, pedaço de tecido surge e se desenvolve lentamente, a artesã continua com sua arte, depositando alegria e felicidade com extrema intensidade. No dançar dos ponteiros do relógio, o tempo desloca-se, movimenta-se, e o pedacinho de obra inacabado se estabelece criando novas formas, novas emoções. A artesã tecendo vai aprendendo e aos poucos vê sua arte criando novas facetas, mesmo que ainda imperfeitas e não finalizada, seu coração e alma se enche de alegria e esperança, a noite deita tranquila e se orgulha, sonhando e imaginado encontrar com a finalização de seu trabalho.

Dias e noites cruzam rapidamente o cotidiano e a vida da artesã, ela não presencia o tempo passar, ao notar o tecido, percebe que o mesmo está próximo a plenitude lhe oferecendo novos desafios, alguns inesperados. A cada movimento com a agulha no emaranhado novelo de lã, a artesã ajusta com carinho e paciência o tecido, jogando para um lado e para outro. Sua arte parece que já tem uma vida própria, desejando seguir seu caminho. Em muitos momentos durante intensa relação com sua obra, a artesã fica no mínimo confusa e cansada, mas continua seu trabalho, encantada pelo desenvolvimento e caminhos que sua arte está seguindo. A paixão em tecer transcende o real, a cada novo pedaço que admira se orgulha do resultado e principalmente de todo o processo.

Horas, dias, meses e anos transitam velozmente, como um simples piscar de olhos. O fio de lã, que em um momento da história foi apenas um fio, se modifica, pois com toda a experiência e intensa relação poderosa de metamorfose que a artesã depositou, se transforma uma linda coberta. Nos dias atuais a sábia e idosa artesã, cansada e alegre, reconhece que apesar de desgastante, fez um trabalho bem feito, uma obra magnífica! Hoje, em uma noite em que os grilos e cigarras cantam uma linda canção noturna, com uma leve brisa aconchegante e um céu cintilante de estrelas, a artesã, já idosa, se cobre com sua obra, a coberta. Aos poucos se sente acolhida, aquecendo o seu coração e acalentando sua maravilhosa alma. Sendo assim, sente uma enorme gratidão que retribui o carinho que ela dedicou em toda sua vida. Aos poucos a artesã fecha os olhos e lentamente sua respiração diminui. A artista descansa e se encontra em um sonho eterno, a linda e acolhedora coberta lhe acompanha, cuidando para que esse sono seja confortável e divino. Desta forma, consegue agradecer com intensa admiração todo o trabalho e vida da artesã.
 

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Maternidade & Paternidade

Diego Henrique Perez

Diego Henrique Perez

Formado em Psicologia pelo CEUNSP com pós-graduação em Psicologia Clínica em Saúde Reprodutiva da Mulher e Hospitalar pela UNICAMP. Educador Perinatal pelo GAMA e colaborador do grupo GAIA. Dedica-se a grupos de patern/matern, atendimentos em psicoterapia

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