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Publicado: Segunda-feira, 20 de maio de 2019

Olhar pro outro e olhar pra si

A caseira da minha casa de praia trabalha comigo há três anos.

Quando a contratei ela me disse que morava perto, que de bicicleta chegava rápido. Há seis meses ela teve um bebê. Outro dia, chovia muito e eu fui levá-la para casa. Não só é muito longe, como ela tem que levar o carrinho, o guarda chuva, atravessar a rodovia, depois a estrada de terra. Perigoso também, porque tem ônibus e carros em alta velocidade.

Eu só pensava em todas as vezes que ela teve que sair na chuva e em como eu nunca havia parado para pensar nisso, porque afinal eu tinha dado de Natal uma nova bicicleta para ela. Meu “problema” estava resolvido.

Ela com o bebê no colo, o carrinho, a sacola do bebê, o guarda chuva me fez pensar na força das mulheres. Vai chegar em casa e fazer comida pro outro filho, de oito anos.

Eu que sempre me achei generosa, que verdadeiramente me importo com os outros, percebi quão longe estou do que eu mesma conto pra mim.

Este é um desabafo e um alerta para que nós possamos de fato reconhecer o outro e suas dificuldades.

Quantas vezes você contou algo assim pra você mesmo para se convencer daquilo que não quer ou não tem vontade de ver?

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Lilian Kogan

Lilian Kogan

Pedagoga (PUC/SP), psicoterapeuta pelo International Institute for Biosynthesis IIBS Heiden/Suíça e diretora do grupo "Apoio a quem Apoia", de redes hospitalares. Como boa aquariana, adoro todas as formas de comunicação, especialmente a escrita.

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