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Publicado: Sábado, 17 de fevereiro de 2018

Durma mais, coma menos

Dentre os fatores que são bem destacados como promotores da obesidade que podem influenciar expressivamente com o aumento da ingestão de alimentos e que continuam a ser muito estudados na atualidade, devido seu crescimento alarmante e suas consequências diretas sobre a saúde geral com o surgimento de doenças, o sono inadequado é um fator notório nesta lista de agentes causadores da obesidade. Quanto menos você dorme, mais você come, como retrata o estudo publicado na revista SAGE Journal of Health Psychology (JHP), de grande peso científico acadêmico indicando que o sono interrompido pode ser um fator contribuinte para a ingestão excessiva de alimentos e, portanto, levar a danos crônicos para a saúde em longo prazo em adultos e crianças, especialmente pelo ganho de peso. O estudo retrata, explorando sobre os malefícios de uma noite má dormida, e também esse efeito cronificado, algo que na atualidade afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode afetar os hábitos e comportamentos alimentares.

Embora seja já bem estabelecido que uma noite má dormida pode afetar nossa capacidade de executar tarefas diárias, o que é menos conhecido é como o sono quando perturbado pode influenciar tanto as escolhas alimentares quanto a ingestão alimentar. “É bem reconhecido que a ingestão de alimentos está implicada em diversos problemas de saúde crônica incluindo o ganho de peso, diabetes e doenças cardíacas, e a dieta é frequentemente alvo de tratamentos para prevenir o aparecimento destas condições,” comentaram os investigadores Alyssa Lundahl e Timothy D. Nelson da Universidade de Nebraska- Lincoln, EUA. “Compreender os mecanismos que ligam os padrões do sono de má qualidade ao aumento da ingestão de alimentos é importante para informar ambas as intervenções de prevenção e tratamento para condições crônicas de saúde”.

A ingestão de alimentos é impulsionada por fatores biológicos, emocionais, cognitivos e ambientais. Embora seja importante considerar a dieta no tratamento para distúrbios crônicos de saúde associados com a ingestão de alimentos, um olhar mais atento deve ser dado à forma como o sono afeta esses fatores. Lundahl e Nelson argumentam que esses mecanismos são fortemente alterados e influenciados por padrões de sono. Por exemplo, depois de uma noite mal dormida, o hormônio que controla o apetite é afetado, o estresse emocional é maior, mais alimento é desejado para compensar a falta de energia e a impulsividade aumenta, os quais afetam a quantidade de alimento que você consumiria em um dia. O indicado é procurar ajuda médica se a qualidade do sono estiver comprometida, e criar sempre hábitos saudáveis, como praticar exercícios regulares, buscar uma alimentação balanceada associados a atividades que controlem a mente como a yoga, tai chi chuan e meditação etc.

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Pedro de P. L. Aguiar

Pedro de P. L. Aguiar

Graduado em Educação Física pelo Ceunsp; Pós-graduado em bioquímica, fisiologia, treinamento, nutrição desportiva pela Unicamp; e Pós-graduado em fisiologia do exercício com ênfase em envelhecimento, saúde e doenças na USP.

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