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Publicado: Terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Presídios se tornam escritórios do crime

Crédito: YouTube Presídios se tornam escritórios do crime
Presidiários usando celulares livremente

Não é de agora que vemos inúmeros casos de negociações entre facções criminosas de dentro e de fora dos presídios no Brasil. Líderes de grupos montam ações, ataques e invasões mesmo estando em penitenciárias de segurança máxima, discutem com outros presos os detalhes e entram em contato com ‘gerentes’ que estão nas ruas.

Os esquemas parecem crescer cada vez mais e a complexibilidade dos mesmos seguem nesse ritmo. Daí vem a pergunta: Como conseguem tamanha liberdade de planejar tais ações, conversar com outros presos e criminosos que estão nas ruas sem serem incomodados? Respostas: Ahh, eles fazem parte de grandes facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e outros de iguais proporções ou menores, eles têm recursos ou acham brechas para se comunicarem.

Primeiro. Se estão dentro de um presídio de segurança máxima, não deveriam ter nenhum acesso a qualquer tipo de comunicação (celular, rádio, transmissores, TVs, nem mesmo mensagens escritas). Em relação as conversas com outros presos sobre ataques, a tecnologia de um prédio desse deve ter câmeras com alta capacidade de gravação, tanto vídeo, quanto áudio ou microfones.

Segundo. A corrupção de policiais civis e militares, agentes penitenciários, administradores, entre outros, dificulta muito esse controle, sim. Mas então, o que fazer? Uma limpeza geral dentro e fora dos presídios, investigar e punir, severamente, todos envolvidos. Em seguida, melhorar, e muito, o preparo de policiais, carcereiros e administradores através de cursos, treinamentos e acompanhamento psicológico constante, além de dar incentivo financeiro maior – melhores salários. Nada disso é fácil, nem rápido, muito menos barato, mas é preciso ser feito com urgência.

Em nosso País, a morosidade do Congresso, do Senado, da Câmara, das leis em si, da fiscalização – poderia enumerar dezenas – dificultam, quase tornam impossíveis essas e centenas de outras mudanças. Mas, mais uma vez, ações têm que tomadas com urgência.

Há mais de um ano alertas têm sido feitos ao Ministério Público (MP) sobre articulações em presídios federais, nos quais estão boa parte da nata criminosa. O MP ou não tem dado a devida relevância ou foi contagiado pela morosidade da maioria de nossos órgãos. Desde 2017 a situação tem se agravado, de acordo com agentes penitenciários, citando a destruição de uma ala inteira do presídio federal de Porto Velho (RO). Além do mais, os presos têm desafiado os agentes com maior freqüência.

É inaceitável que criminosos que roubaram, seqüestraram e mataram continuem comandando, mesmo estando atrás das grades, trazendo insegurança, medo e prejuízo à população e ao País como um todo. Você que lê este artigo, talvez se pergunte: Como posso ajudar a mudar? Comece a entender seus direitos e deveres como cidadão lendo nossa Constituição. Você verá que tem grande relevância nesse processo, ainda mais quando unido a centenas, milhares ou milhões. Será uma ajuda ímpar.

Não se subestime, não se julgue inferior ou inapto diante ao que vê, ao que acontece no Brasil e que te fere!  

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Criando Consciência

Rafael Ramires

Rafael Ramires

Jornalista formado pela Faculdade Prudente de Moraes (FPM), trabalhou em diversos veículos da cidade, região e capital. Atualmente é coach e atua como assessor de imprensa e desenvolvedor de marketing digital para empresas.

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