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Publicado: Segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Voto Útil e Voto Inútil

Crédito: Internet Voto Útil e Voto Inútil
Todo voto é útil. Só é inútil votar em corrupto.

Aproximando-se o dia das eleições, cresce em conversas aqui e acolá um certo apelo para o que alguns chamam de “voto útil”. Como o nosso sistema é em dois turnos, vira e mexe aparece alguém pregando que seria melhor não “desperdiçar” o voto em candidatos que não têm chance real de vencer o pleito, para então decidir tudo já no primeiro turno. Dirigir o voto a quem possui meros 3% ou 5% seria um erro, uma oportunidade jogada fora.

Há duas formas de encarar esse dilema. Os eleitores mais pragmáticos são aqueles que defendem o “voto útil”. São mais práticos, digamos assim. Cientes das tendências, votam no candidato que está à frente ou julgam ter maiores chances de vencer as eleições. Para quê dois turnos se podemos resolver tudo de uma vez num turno só? É assim que pensam e dirigem suas escolhas com base nisso.

Os eleitores que não aceitam o “voto útil” são, por assim dizer, os mais convictos e idealistas. Escolhem e votam no candidato em que acreditam, mesmo que tenham uma mínima intenção de votos. Nada os convence a abrir mão de votar naquele que bem entendem. Num segundo turno, caso o seu candidato não esteja entre a dupla em disputa, mantêm-se neutros ou fazem nova escolha. O segundo turno, como dizem, é uma outra eleição.

Analisando as duas posturas, não há como afirmar qual delas está certa ou errada. Particularmente, acredito que todo voto é útil. E como cada um de nós tem o direito sagrado à liberdade de escolher o candidato que mais nos representa, não é aceitável que fiquemos tentando nos convencer uns aos outros sobre a utilidade ou a inutilidade das nossas opções. Se a escolha é minha voto como quero e ninguém tem nada com isso.

Pensando bem, há sim uma categoria na qual podemos enquadrar o voto inútil: é quando vendemos o nosso voto ou insistimos em votar em candidatos sabidamente envolvidos em casos de corrupção. Votar em corrupto, daí sim, é um desperdício fatal para a democracia, pois joga na lata do lixo todos os esforços da nossa sociedade para a boa evolução do sistema político-eleitoral.

Então, que assim seja: vote em quem quiser e quando quiser, sem se deixar pressionar pela opinião alheia. Mas não vote nos envolvidos em corrupção, para que o seu voto seja ainda mais valioso. O nosso voto é sempre útil quando ajuda verdadeiramente a democracia a evoluir cada vez mais em nossa sociedade.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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