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Publicado: Terça-feira, 2 de outubro de 2018

Voto Sujo

Crédito: Internet Voto Sujo
Quem vota em porcos acaba comendo farelo.

Há dois tipos de voto sujo que assombram e estragam o processo eleitoral. O primeiro emporcalha o conceito mesmo de democracia, no campo dos ideais. O segundo gera uma sujeira material, real e evidente, com prejuízos para o meio ambiente. Numa sociedade que vem, a passos lentos, clamando mais e mais por transparência e eleições limpas, nenhum tipo de voto sujo pode mais ser tolerado.

Votar sujo é estragar o próprio voto vendendo-o por um cacho de bananas, favores ou quaisquer outras quinquilharias. Infelizmente, a pobreza no Brasil ainda faz com que muitos eleitores sem consciência troquem o voto por alguns tijolos, uma cesta básica, uma dentadura, etc. Quem dera isso fosse apenas um folclore. Não é. Essa prática suja gera a figura do eleitor corrupto. A corrupção é uma faca de dois gumes. É corrupto quem propõe a corrupção e quem adere a ela.

Voto sujo também é aquele que se tenta conquistar através da velha prática de infestar as ruas de nossas cidades com milhões de “santinhos” de papel. Fique bem claro que os santos e santas católicos não têm nada a ver com essa nomenclatura política, tampouco apóiam sua prática. Apesar da legislação em vigor proibir, sempre vemos nossas ruas sujas nos arredores dos locais de votação.

Essa velha tática denota o desespero de candidatos e marqueteiros, sendo uma prova mesmo da falta de confiança na própria campanha e no marketing eleitoral desenvolvidos. A idéia é jogar na rua milhares de “santinhos” com o objetivo de pegar algum eleitor incauto, assim mesmo com quem arma uma arapuca para pegar passarinho. Na teoria o eleitor vai até o local de votação, encontra o santinho no chão, pega-o e vota nos candidatos que estão no papel. Na prática, não funciona. O que acaba acontecendo é uma tremenda poluição visual, com muitos bueiros entupidos e uma trabalheira danada para os garis.

O desespero faz morrer qualquer pensamento lógico. O eleitor inteligente não pega papel do chão e não vota em candidatos que emporcalham a cidade. O candidato ignorante não compreende isso e segue fazendo porquices em troca de votos, uma vez que punição de verdade não há.

Se queremos um Brasil melhor e diferente, precisamos começar votando melhor e agindo diferente. Não vote em candidatos porquinhos, tanto do ponto de vista ecológico quanto moral. Quem vota em porcos acaba comendo farelo.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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