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Publicado: Domingo, 15 de abril de 2018

Você Presta Pra Quê?

Crédito: Internet Você Presta Pra Quê?
Muitos andam perdidos como cachorro correndo atrás de pneus em movimento.

Os leitores perdoem um título tão direto no presente artigo. Títulos, como sabem os que se interessam ou atuam nas Comunicações Sociais, servem para chamar a atenção da audiência. Foi este, logicamente, o meu objetivo. Creio que um título sobre “virtudes quantitativas” não lograria sucesso.

 

O mundo moderno exige de nós a perfeição em tudo sem, entretanto, dar-nos condições para tal. Por mais facilidades que tenhamos no momento presente, a modernidade rebaixou os seres humanos. Temos tudo à nossa disposição, mas evoluímos pouco na intelectualidade e na moralidade.

 

De modo bastante generalizado, somos cobrados em tudo. Devemos ser bonitos e elegantes, mas também despojados e simples. Devemos ser livres para falar o que quisermos, mas também politicamente corretos para não ofender suscetibilidades. Devemos ser espiritualizados, mas sem acreditar em Deus ou seguir preceitos de alguma religião.

 

Devemos ser ótimos profissionais, mas também sabendo passar a perna em todos para subir no plano de carreira. Devemos evitar o materialismo, mas vendendo a mãe por causa de grana, se for o caso. Devemos jurar amor eterno e fazer loucuras sentimentais, mas podendo dar um pé na bunda de qualquer um, a qualquer hora, por qualquer motivo.

 

Este nosso mundo presente, repleto de contradições cada vez mais absurdas, está transformando a grande maioria das sociedades em uma horda de esquizofrênicos, egoístas e desumanizados. Ser bonito é feio. Ser feio é bonito. Mais vale ajudar um pet-shop do que um orfanato.

 

Em meio à tanta bagunça é difícil cada um achar sua própria função. Cobrados de tantas maneiras, vivemos como um cão correndo na tentativa de pegar as rodas de um automóvel. Muitos se esquecem de perguntas básicas na vida de todos nós: eu sirvo pra quê? No que eu sou bom? Como posso me realizar? Qual é o meu papel neste mundo?

 

Sem fazer tais questões, muitas pessoas vivem como zumbis. Acordam e dormem, comem e bebem, ganham e gastam, compram e vendem, etc. E é só. Nada além disso. Desperdiçam a vida em coisas sem sentido, passageiras. Não deixam nenhum legado, nenhum sinal de sua passagem no mundo. Serão esquecidos eternamente na poeira cósmica da memória humana.

 

Concentre-se. Descubra o seu dom. Encontre dentro de si aquilo que o faz feliz, por ser útil a todos. Ninguém precisa ser perfeito e ter virtudes em quantidade. Não estamos numa competição virtuosa. É preciso buscar virtudes naturalmente, porque é o melhor caminho. Descubra quais são suas virtudes, insista e cresça nelas, nem que seja apenas uma única e solitária.

 

Cada vela tem apenas um só pavio. Ninguém pode exigir de uma vela que brilhe tanto quanto um candelabro inteiro. Nunca se soube de uma vela com sete ou oito pavios. Ela tem uma chama única, mas que brilha. Em meio à escuridão não se pode negar que uma solitária vela ajuda bastante a clarear.

 

Cada qual com sua virtude, mesmo que única, pode e deve se juntar a outros. Muitas velas formam um candelabro luminosíssimo, que clareia muito mais. Eis a questão: muitos hoje não se preocupam em ser vela acesa e iluminada. Contentam-se em viver pálidos e frios, como cera jamais tocada pelo fogo da vida. É por isso, entre outras coisas, que o mundo anda tão escuro e arrepiante.

 

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é seminarista na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Simplício: Um Contador de Histórias - Vida e Obra de Francisco Flaviano de Almeida".

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