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Publicado: Quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Vivo Como Se Fosse O Meu Último Dia

Vivo como se fosse o meu último dia.
Todas as manhãs, quando acordo, dou graças a Deus por mais um dia que começa. Enquanto me levanto faço a prece matinal. Agradeço o descanso a mim oferecido, a oportunidade de ter onde deitar e com o que me cobrir. Recordo os sonhos que tive, do futuro que almejo e das pessoas que viveram em meu passado. Hoje se encontram na Casa do Pai, mas vivo como se fosse o meu último dia, pois a minha hora também chegará.
 
Vivo como se fosse o meu último dia.
No caminho para o trabalho, quantas coisas poderiam me acontecer? Um acidente de trânsito, um assalto fatal, um ataque repentino de uma doença até então escondida. Agradeço a Deus por mais um dia de trabalho que começa, pela oportunidade de colocar meus dons a serviço de todos. Hoje me encontro servindo aqui, mas vivo como se fosse o meu último dia, pois chegará o tempo em que serei chamado a agir em outro lugar.
 
Vivo como se fosse o meu último dia.
No meio do dia, a pausa para a refeição. Momento de revigorar as forças do corpo, nutrir o organismo do alimento necessário para as tarefas diárias. Agradeço a Deus por mais uma oportunidade de consumir o que me convém, de ter a comida como fruto do meu trabalho, quando tantos tão mais esforçados do que eu sequer possuem o que comer. Hoje me encontro bem nutrido, mas vivo como se fosse o meu último dia, pois chegará o tempo em que não mais me alimentarei dos frutos desta terra.
 
Vivo como se fosse o meu último dia.
Durante a jornada há o encontro com inúmeras pessoas. Elas nos dão palavras e gestos, felizes e infelizes. Agradeço a Deus a oportunidade de me alegrar com os amigos. Agradeço a Deus a capacidade de ter compaixão dos que não me amam sinceramente. Mas vivo como se fosse o meu último dia, pois chegará o tempo em que verei de perto a grande lição, de que todos somos iguais perante o Criador.
 
Vivo como se fosse o meu último dia.
A pouca idade e a boa saúde andam juntas, na maioria das vezes. Com o tempo, ambas vão se distanciando cada vez mais. Agradeço ao Senhor pela oportunidade de ser saudável, quando tantos sofrem enfermidades diversas. Agradeço ao Deus da minha juventude, pela oportunidade de ter visto tantas maravilhas e prodígios, mesmo sendo ainda jovem. Mas vivo como se fosse o meu último dia, pois chegará o tempo em que contemplarei face a face a fonte de todo esse bem.
 
Vivo como se fosse o meu último dia.
Os bens materiais existem para o nosso conforto. Deus concedeu ao ser humano a inteligência para dominar a natureza e a criatividade para inventar. Agradeço ao Senhor pela oportunidade de desfrutar dos bens que me são necessários para uma vida sem luxo, mas sem maiores necessidades. Mas vivo como se fosse o meu último dia, pois chegará o tempo em que nada levarei deste mundo, a não ser o amor que espalhei e recebi.
 
Vivo como se fosse o meu último dia.
Nesta vida não sou santo e tampouco o pior dos pecadores. Como muita gente, simplesmente errei várias vezes, muitas vezes tentando acertar. Agradeço a Deus a oportunidade de poder tentar. Agradeço a Deus o poder enxergar em mim mesmo os meus defeitos, para poder corrigi-los. Mas vivo como se fosse o meu último dia, pois chegará o tempo em que serei julgado e no qual toda a minha confiança estará na misericórdia divina.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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