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Publicado: Domingo, 19 de junho de 2011

Viver e conviver bem

Viver e conviver bem
Defendo uma vida simples e humana...

Estou em falta com os meus leitores. Desde a inauguração desta coluna este foi meu maior intervalo entre uma publicação e outra. Fui até cobrada publicamente por esse silêncio, recentemente, em uma reunião social. 

Embora a quantidade de trabalho não tenha aumentado, sinto a vida profissional me tirar o fôlego, além da certeza, é claro, de que já não produzo mais com tanta agilidade... 

Coisas da maturidade, que, aliás, são por mim muito bem-vindas, afinal, tenho certeza de que hoje escrevo com mais cuidado e responsabilidade.  Quando leio os textos escritos no passado fico espantada com tamanha impetuosidade e coragem. Coisas da juventude.    

Por isso também não me sinto atrasada com os assuntos. Sobretudo quando se trata de educação.  A educação mora no espaço que existe entre o pensar e o fazer; por isso o seu tempo é lento, reflexivo e constante.  

Ainda que o assunto tenha se esgotado na mídia, preciso abordá-lo. Não sou dona da verdade, mas sou dona desta coluna e por ela posso traduzir meus sentimentos, algumas percepções e tantas indagações... Como mulher, mãe e educadora, que sou. 

Preocupa-me a ideia do MEC de enviar Kit Anti-Preconceito às escolas. Temo a inversão de papéis que isso possa causar. Ou seja, tal conteúdo não pode ser tratado de forma descontextualizada e obrigatória, tomando os esforços escolares. Antonio Nóvoa, renomado educador português, bem tem razão quando diz que a escola está transbordando e que tantas ações desviam sua atenção.  

A escola deve priorizar a aprendizagem e na sua relação praticar a boa convivência, respeitando a singularidade, a unidade e a complexidade humana. Aceitar as pessoas como elas são, saber ouvir e respeitar diferentes jeitos de ser e viver são atitudes fortemente desejadas e amparadas legalmente no ambiente escolar, laico e democrático. 

Defendo uma vida simples e humana. Defendo uma escola centrada na aprendizagem. 

E por incrível que pareça essas duas questões caminham juntas. Centrar a aprendizagem exige a aceitação de “que nem sempre se aprende de maneira linear, nem sempre se aprende do mais simples para o mais difícil, do mais concreto para o mais abstrato, que aprendizagem é de uma enorme complexidade”, como nos ensina o Professor Nóvoa.   

Assim também é a vida. Não aprendemos no mesmo tempo, não somos todos iguais, apesar de estarmos todos no mesmo barco, nem somos donos de uma única verdade, seja para ditar ou contraditar conceitos.  

Viver e conviver bem, na escola ou na vida, depende única e exclusivamente da minha e da sua atitude. E isso é bem mais simples do que pensamos.        

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Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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