Colunistas

Publicado: Quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Viva os Vicentinos e as Vicentinas!

Crédito: Internet Viva os Vicentinos e as Vicentinas!
Este tirou dos ricos para dar aos pobres. Sem ideologias, mas com caridade.

Não se trata de sugerir aos leitores que assistam algum filme com o personagem Robin Hood. Também não se trata de opinar favoravelmente a certas tontologias que andam pregando uma “revolução social”. Finalmente, não se trata de algo utópico ou irrealizável. A verdade é que a difícil tarefa de tirar dos ricos para dar aos pobres já foi e continua sendo realizada graças ao que nos inspira a figura de São Vicente de Paulo.

                Nascido em família humilde, na França do século 17, desde criança percebiam sua inteligência e devoção. Naturalmente desejou ser padre e foi ordenado com apenas 19 anos de idade. Era ainda jovem sacerdote quando ganhou um presente. Uma viúva, que gostava de ouvir suas pregações, ao falecer deixou-lhe de herança uma propriedade e uma soma em dinheiro que deviam ser buscadas na cidade de Marselha. Os planos do Padre Vicente era vender a propriedade e reverter tudo para a caridade.

                Na viagem seu navio foi capturado pelos turcos muçulmanos. Padre Vicente foi tornado escravo e ficou passando de dono em dono. Viveu nessa condição por dez anos, até que converteu seu último patrão e ambos fugiram de volta à França. Padre Vicente voltou à toda com seus planos em favor dos pobres e o ex-patrão tornou-se monge num mosteiro.

                A humildade e a santidade de Padre Vicente rendiam-lhe a sincera admiração tanto do clero quanto da nobreza. Muitos o auxiliavam materialmente no serviço aos necessitados. Embora fosse querido pelos mais abastados de seu tempo, podendo inclusive ter morado na côrte francesa ou numa bela casa, ele sempre preferiu morar mais perto dos pobres. Sua rotina era conviver com a miséria, tanto a material quanto a dos costumes. Costuma dizer: “É preciso unir-se ao próximo para unir-se a Deus”.

                Os críticos da Igreja, bocudos mas ignorantes da verdade, desconhecem que a verdadeira revolução do ser humano vem do amor e da caridade, jamais de sistemas políticos ou pontos ideológicos. Padre Vicente sabia disso e reuniu em torno de si inúmeras pessoas dispostas a praticar o Evangelho em favor dos mais fracos, lembrando aquilo que Jesus mesmo afirmou: “Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos é a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25,40).

                Em nome do amor aos pobres, Padre Vicente fundou as Damas da Caridade (hoje Associação Internacional de Caridades – AIC); as Confrarias da Caridade; a Congregação da Missão, dos padres chamados Lazaristas ou Vicentinos); e a Congregação das Filhas da Caridade; isso tudo além de inspirar muitas outras pessoas no serviço aos necessitados. Por isso é que, ao ser canonizado, foi confirmado como “patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica”.

                São Vicente de Paulo faleceu em 1660. Cincoenta anos depois de sua morte, fizeram a exumação do seu corpo e com espanto verificaram que o mesmo estava incorrupto. Especialistas da época atestaram que tal ocorrência não tinha como ser natural. Realizaram-se alguns restauros e o corpo está exposto até hoje, em Paris. O coração do Padre Vicente, que tirou dos ricos para dar aos pobres, permanece também intacto, guardado num relicário. Afinal de contas, amor que é amor nunca morre. E o coração desse grande santo, que sempre foi tão cheio de amor por Deus e pelos pobres, não poderia também ser corrompido.

                Parabéns a todos os vicentinos e vicentinas pelas inúmeras obras de caridade que realizam em torno de todo o planeta. São uma prova viva de que a pobreza se combate com amor e não com dinheiro. E que a multiplicação da fé nos ajuda a multiplicar também os recursos necessários àqueles que infelizmente sofrem com a miséria e o egoísmo deste mundo.

                São Vicente de Paulo, rogai por nós! Amém!

Comentários

Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

Arquivo