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Publicado: Terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Versão brasileira...

Herbert Richards...

Eis um nome que muitos da minha geração aprenderam a decorar, mesmo que sem consciência disso. Na infância podíamos ouvir esse nome no início dos desenhos e seriados infanto-juvenis, logo após o nome do episódio do dia.

Pois o tal Herbert Richards, faleceu há um mês. Nascido em Araraquara (SP) em 1923, passou a morar no Rio de Janeiro em 1942. 

Com o surgimento da televisão, em 1950 fundou a Herbert Richards S.A., que se tornou pioneira em dublagens de filmes, seriados e desenhos.

Falecendo aos 86 anos, o empresário viu seu estúdio consolidar-se como o maior da América Latina. Grande parte das dublagens do que a gente assiste hoje continua sendo feita pela Herbert Richards, porém hoje o locutor não ressalta mais isso como antes.

Para quem não se recorda ou simplesmente não nasceu naquela época, basta procurar um pequeno vídeo com o áudio em questão. Ele pode ser encontrado no Youtube, basta digitar o nome do falecido.

Uma das minhas recordações infantis está ligada à televisão. Logo ao acordar eu ia para a sala, lutando para subir sozinho no sofá. Minha mãe ligava a tevê e vários personagens me faziam companhia. 

Não havia Xuxa ou TV Globinho. A Turma do Balão Mágico e o Bambalalão ainda estavam por vir. Videocassete e DVD eram ficção científica e a diversão ficava por conta da série Batman & Robin (aquela versão tosca, mais cômica e macarrônica) e dos desenhos da Hanna Barbera: os Flinstones, o Leão da Montanha, o Dom Quixote, o Space Ghost, o Homem-Pássaro, a Corrida Maluca, etc.

Estávamos oficialmente sob um regime ditatorial. Antes da exibição de qualquer programa, as emissoras de televisão eram obrigadas a mostrar o documento do setor de censura que liberava o conteúdo a ser exibido naquele horário.

As emissoras não transmitiam 24 horas. Sempre referência, a programação da Globo iniciava às 5h com o Telecurso Segundo Grau e terminava por volta das 2h. Nesse meio tempo, a tela trasmitia aquele arco-íris vertical, que os técnicos diziam servir para regular as cores do aparelho.

Nessa mesma época, aos domingos era possível ver o Programa Sílvio Santos na TVS (canal 4) e ao mesmo tempo na Record (canal 7). Ah, se arrependimento matasse né, Sílvio?

Enfim, todos temos algumas lembranças ligadas à televisão e à nossa infância. E muitas das coisas que assistimos só nos foi permitido entender em português graças ao Herbert Richards. Que ele descanse em paz, em versão brasileira sem legendas.

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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