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Publicado: Segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Veridiana e a vidente

Veridiana era uma velhinha que vivia na casa da filha casada, do genro, dos netos e da Julinha, uma garota criada na casa que todos achavam esquisita, pois estava sempre dizendo que via “coisas” e ouvia “vozes”.

A filha cuidava da mãe, vigiava o tempo todo e, muitas vezes, perdia a paciência, pois ela era difícil, teimosa e birrenta e ainda brigava com o marido porque ele implicava com ela.

Os netos, simplesmente a ignoravam.

Veridiana não gostava do genro, tinha ciúme da filha, mágoa dos netos e, só para contrariar todo mundo, estava sempre elogiando a Julinha.

Julinha era sua amiga. As duas passavam horas conversando. Julinha lhe falava de suas visões (ela era a única que acreditava) e ela contava histórias que nem ela mesma sabia se eram verdadeiras e que a menina ouvia com atenção sem se importar muito com sua veracidade.

Mas, um dia, Veridiana burlou a vigilância da filha e tentou descer sozinha a escada, coisa que lhe era proibida.

Não foi feliz. Caiu, rolou e finalmente levantou muito assustada, mas sem nenhum ferimento.

- Graças a Deus!

A partir desse dia o comportamento de Veridiana mudou muito.

Passou a entender o sacrifício da filha e do genro. Afinal de contas eles a acolheram em sua casa. A sustentavam cuidavam dela e, se às vezes eram impertinentes lembrando-lhe a hora dos remédios, insistindo para ela comer ou mandando tomar banho, ela também era uma verdadeira “mala” para eles e, quanto aos netos, eram adolescentes, por que haveriam de achar graça numa velha feito ela?

A filha também resolveu deixá-la mais livre. Largou de seu pé!

Acabaram as brigas do casal e a paz voltou a reinar naquele lar.

Julinha continuava conversando muito com ela e ela cada vez se afeiçoava mais pela menina.

Quando chegou o dia de finados a família toda foi ao cemitério.

Veridiana não gostava de nada que lembrasse a morte e ficou a certa distância.

De repente a Julinha gritou:

- Olha lá a Vovó! Eu estou vendo a Vovó!

Alguém a afastou e, só então Veridiana chegou junto ao túmulo e viu o seu nome escrito na laje.

Assustada, voltou-se e viu um Anjo sorridente estendendo-lhe a mão que ela tomou na sua e os dois desapareceram no espaço.

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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