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Publicado: Segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Uma vela para duas

De repente, o apagão. As trevas envolveram tudo.

A escuridão a incomoda. Não tem nem uma luz alternativa.

Tateando, abria armários e gavetas a procura de uma vela e uma caixa de fósforos quando ouviu batidas na porta.

- Quem é?

- Sou eu, do 45. Você me empresta uma vela? Tenho fobia por escuro.

Abre a porta e convida a vizinha a entrar e acomodar-se em uma cadeira junto à mesa.

Continua remexendo coisas até que conseguiu encontrar um toco de vela e um velho isqueiro que milagrosamente funcionou o suficiente para acender a vela.

Colocou-a em um pires e sentou-se do outro lado da mesa diante da sua inesperada visita.

Começaram a conversar, descobriram afinidades e, enquanto a vela iluminava precariamente seus rostos, elas, que moravam lado a lado há mais de dez anos, finalmente se conheceram, ficaram amigas.

A vela se consumia. Em breve se extinguiria e as trevas voltariam, mas elas já não se preocupavam com isso, pois já não estavam sós e se fosse preciso passariam juntas a noite escura e aguardariam tranquilamente o raiar de um novo dia. 

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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