Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 30 de março de 2009

Uma Rosa para a Bisa

Celina ofereceu a sua bisavó, já muito velhinha, uma linda rosa vermelha.
- Que linda, Celina! Muito obrigada.
- Esta rosa, Bisa, tem uma particularidade. Ela só murcha se a gente ficar triste, preocupada ou doente. Enquanto a gente estiver bem e feliz ela estará viva.
- A Bisa duvidou um pouco das propriedades daquela rosa, mas levou-a para seu quarto e colocou-a em um vasinho com água.
 
Todos os dias trocava a água e, como os dias foram passando e a rosa estava intacta, começou a acreditar que a rosa era mesmo encantada. Alguns dias depois ela amanheceu gripada:
- Meu Deus! Se eu ficar doente é capaz da rosa murchar!
 
Tomou logo os remédios e, chegando junto a rosa pediu:
- Oh Rosa! Me ajude a curar esta gripe. Não murche, por favor, pois, embora doente, eu estou muito feliz.
 
A Bisa passou a semana acamada, E toda hora pedia para a rosa ajudá-la a sarar. A rosa permaneceu viçosa e ela recuperou-se muito bem.
 
Passados mais alguns dias, uma noite, o cachorro do vizinho começou a latir e ela não conseguia dormir. Já estava começando a irar-se quando se lembrou de que, se ficasse com raiva, a rosa poderia murchar e, então, pediu, calorosamente para a rosa que fizesse o cachorro se calar e, dentro em pouco, ele silenciou e ela pode repousar.
 
Maravilhada, contou o ocorrido para duas amigas e uma delas já disse que ia pedir à rosa pela sua filha que estava com um nódulo, para que não fosse nada muito ruim, e a outra pediu uma ajuda para o seu irmão que estava desempregado há um tempão.
 
O resultado do exame da moça foi negativo e o rapaz, naquela semana mesmo, encontrou um emprego. Estava mais do que provado! A rosa fazia milagres!
 
A notícia espalhou e, dentro em breve, dezenas de pessoas vinham diariamente à casa da Bisa pedir graças à flor. O movimento aumentou tanto nos corredores e no elevador do prédio onde ela morava que os vizinhos começaram a reclamar e ela foi obrigada a pedir ao porteiro que não deixasse mais pessoas estranhas subirem até seu apartamento.
 
Mas avisou os devotos da rosa que ia colocá-la na janela para que lá de baixo as pessoas pudessem elevar até ela as suas preces.
 
O padre, no sermão dominical, alertou os fiéis para o perigo das crendices, das superstições, dos milagres não reconhecidos pela Igreja, etc. mas, de nada adiantou. Cada dia aumentavam mais os devotos da flor milagrosa e o movimento na rua da Bisa começou a criar problemas para o trânsito.
 
O jornal local publicou a notícia com detalhes, inclusive com entrevista com a Bisa que contou com pormenores a história da flor que não murchava e fazia milagres. Quando os familiares dela viram tudo isso ficaram preocupados com a segurança e até com a sanidade mental da velhinha.
 
O pai da Celina admoestou-a:
- Você não devia ter feito isso!
- Mas eu fiz apenas uma brincadeira com ela. Pensei que ela percebesse logo que a rosa era de plástico!
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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