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Publicado: Sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Um Domingo Tranqüilo

Domingo é dia de folga. Ao menos na teoria. Como é bom morar em um lugar tranqüilo e sereno como o centro da cidade de Itu! Posso dizer que já estou habituado. Mesmo assim, não significa que me conforme com algumas coisas. A título de curiosidade, segue uma breve descrição de um recesso dominical nos arredores do Mercado Municipal.
 
5 horas da manhã
Desperto na madrugada calorenta, acordado por uma algazarra na rua. São jovens que saem do clube e depois da “balada” esperam o primeiro ônibus do centro rumo a seus respectivos bairros. Sentam-se bem debaixo da minha janela. Os assuntos são muito variados e acabo “participando” deles, pelo menos como ouvinte. Menos mal. Às vezes acordo de maneira pior, com a quebradeira dos vândalos a destruir orelhões, a tombar os tambores de lixo, a brigar uns com os outros, a chutar as portas de ferro dos estabelecimentos comerciais então fechados...
 
7h às 13h
É tradição na cidade há séculos, mas o fato não me conforma. Logo que os adolescentes entram nos ônibus rumo a suas casas, começa a movimentação na feira-livre do Mercadão. O comércio também começa a funcionar. Os ônibus param debaixo da minha janela a cada quinze minutos. O fluxo de carros aumenta consideravelmente. A situação prossegue assim até pouco depois do meio-dia. Dormir até as 10h é praticamente uma missão impossível.
 
14h às 17h
Breves momentos de quietude, intercalados por algumas surpresas. As buzinas de motocicletas que furam o sinal vermelho do semáforo da esquina. Um bêbado que passa cantando música sertaneja (às vezes eles passam às 3h). Caminhões que insistem passar pelo centro da cidade, o que é proibido. Algumas vezes são enormes e acabam arrastando consigo fios telefônicos e cabos elétricos.
 
O bar da esquina é um folclore à parte. De vez em quando sai até briga. É uma gritaria danada, a Guarda Municipal é vizinha e aparece logo. Leva todos os envolvidos embora. Noite dessas a Polícia Militar também apareceu, para fazer uma “batida”. Levou dois rapazes que haviam entrando numa casa abandonada e furtado algumas ninharias.
 
Aqui cabe um esclarecimento: os proprietários do bar estão isentos de culpa. Trata-se de um comércio como outro qualquer. A irresponsabilidade é mesmo de alguns fregueses que exageram no consumo de bebida e não sabem se comportar.
 
18h às 22h
A tranqüilidade começa a aparecer. O dia seguinte vem se aproximando e parece que todos resolvem aquietar-se. Consigo a calma e o silêncio necessários para sentar-me ao computador e escrever. Também posso entregar-me a alguma leitura ou mesmo tirar um cochilo. Às vezes nem de casa saio. Para nada. Fico tão pouco aqui, por causa da correria cotidiano, que sinto até falta. Outras vezes deixo tudo para esse horário: ir à missa, passar no caixa eletrônico, levar o carro para abastecer, ir até a padaria para a refeição noturna, etc.
 
22h às 0h
Acabou-se o dia. É hora de arrumar as coisas para mais uma semana que começa. Na rua, o mesmo de sempre: motores, buzinas, conversas, gritarias. Separo o material do trabalho, escolho a roupa com a qual vou trabalhar. Deixo tudo organizado, conforme a minha natureza. Vou deitar-me antes da meia-noite e agradeço a Deus por mais um domingo “tranqüilo”. E semana que vem, tem mais.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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