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Publicado: Quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um conto de Natal

Um conto de Natal
Leve Jesus e Maria para sua casa neste Natal!

Dormi a tarde inteira naquele sábado, véspera de Natal. O cansaço do trabalho me consumiu horas de descanso. Ao acordar, preparei-me para a missa. Participaria da solene celebração eucarística naquela igreja, toda decorada desde o início do Advento. Guirlandas gigantes e luzes compunham a decoração festiva.

Não demorou muito para a igreja lotar. Meia hora antes da missa, todos os bancos estavam cheios e os corredores abarrotados de gente. Na oitava badalada do sino, o comentarista deu início à leitura da munição inicial e convidou todos a ficarem de pé para receber o padre, os diáconos, os ministros da Eucaristia, os irmãos do Santíssimo e os coroinhas.

Logo após a procissão de entrada, o sacerdote pediu que todos permanecessem em pé. Então uma legião de anjos entrou pela nave central da igreja. Na verdade eram jovens, moças e rapazes, todos paroquianos. Vinham com asas e auréolas, tochas luminosas nas mãos.

A escolta era digna da realeza. E de fato era: logo em seguida entraram jovens representando Maria e José, com uma imagem do Menino Jesus nos braços. O pequenino foi colocado numa manjedoura diante do altar principal, sob os aplausos de toda a comunidade ali reunida.

A celebração eucarística seguiu normalmente, com todas as leituras típicas de tão especial data. A homilia foi longa, porém também uma das mais belas do ano. As pessoas esqueciam do relógio ao ouvir o padre contar a grande aventura da encarnação de Deus entre os homens.

A maior parte dos fiéis presentes participou da comunhão, com muita piedade. A canção de ação de graças instalou no coração de todos um sentimento profundo de gratidão: agradecemos a Deus Pai por enviar seu Filho amado, a fim de nos ensinar o real sentido do amor.

Depois dos recados de praxe, antes de conceder a bênção final, o padre deixou sua cátedra e, colocando-se em pé, pediu a atenção de todos para um último recado. Na verdade era um pedido. Um pedido especial de Natal. Pediria donativos para alguma obra de caridade da Igreja? Nada disso.

Disse o sacerdote que estava na sacristia da igreja uma senhora muito pobre. Já não tinha marido, era viúva. O único filho que nascera de seu ventre, fora assassinado anos antes, depois de preso e torturado. Fato era que a tal senhora não tinha parentes, fora esquecida até pelos amigos.

O padre emocionou os fiéis ao dizer que aquela viúva não tinha sequer com quem passar a ceia de Natal. E quis saber se na assembléia havia alguém disposto a acolher a pobre mulher em sua residência. Afinal, ninguém merecia passar data tão festiva jogada na solidão.

Após alguns segundos de certo espanto coletivo, um casal levantou-se e foi até o padre. Iriam acolher a viúva, servindo-lhe de companhia naquela noite. Então o sacerdote pediu que trouxessem a mulher da sacristia. E foi com mais espanto ainda que todos os presentes viram um coroinha trazer nos braços uma grande imagem de Nossa Senhora!

A mulher esquecida, viúva, com o filho assassinado, era a Mãe de Deus! Mas seu Filho amado ressuscitava a cada dia no coração caridoso de muitas pessoas que nele tinham fé!

A igreja inteira aplaudiu emocionada. As palmas duraram muitos minutos. E o casal solidário realmente levou a imagem de Nossa Senhora para casa, como presente pela disponibilidade e generosidade.

Foi um Natal inesquecível, para mim e tantas outras pessoas. Naquela noite também quis levar Nossa Senhora para casa e realmente o espírito natalino fez-me sentir próximo ao presépio de Belém durante todo o tempo. Junto dos meus amigos e parentes, agradeci a Deus pelo dom da fé e pela graça especial de poder testemunhar momentos tão emocionantes na minha vida.

Neste Natal, que todos possam compreender quanto é especial o dom da fé e o dom da vida! Feliz Natal e que o Menino Jesus abençoe a todos! Amém!

Obs.: A história narrada acima realmente aconteceu, numa igreja da comunidade ituana. Louvado seja Deus!

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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