Colunistas

Publicado: Domingo, 21 de fevereiro de 2016

Terra Natal

Crédito: © George Gimenes Terra Natal
Antiga Fábrica São Luiz, Largo S. Francisco

És de um sol encantador -
Eu me lembro das manhãs
Respirando teu frescor
Pés de amora e romã
Um café de coador
Rádio, viola, um elã.


No intervalo da escola
Uma tremenda algazarra
Comentando sobre a cola
Sempre um agarra agarra
Queriam só jogar bola
Era mesmo uma farra.


Sem que fosse planejada
De segunda a sexta-feira
Todo dia a criançada
Sem cansar, a tarde inteira,
Se juntava na calçada
Inventando brincadeira.


Manga e jabuticaba
Comiam-se até fartar
No pé, laranja e goiaba
U'a beleza de pomar
Quando a dona era "braba"
No pé se tinha que dar.


Mas também havia quando
Na ladeira a turma ia
Pra formar um grande bando
E pedalar pra pescaria
Os adultos, no entanto,
Iam para a romaria.


As calçadas de varvito
Pra elegante caminhar
E nas ruas de granito
As charretes a passar
Veio então o asfalto, um mito,
Para carros desfilar.


De vez em quando uma festa
Feita para festejar
Com o som de uma seresta
Já se faz anunciar
Pra menina atrás da fresta
O romance está no ar.


Vários bandos de pardais
Num mais belo entardecer
Proclamando em madrigais
"Hora de se recolher"
Uma experiência demais
Linda de se ouvir e ver.


E assim eu vou-me embora
Me despeço com saudade
Vou voltar, mas não agora,
Para ver minha cidade
Tão pujante como outrora
O seu povo e sua herdade.

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É Tempo de Poesia

George Gimenes

George Gimenes

Formado em Engenharia Elétrica pela Unicamp, poeta por vocação, publica online no "Recanto das Letras" e em seu blog "O Engenheiro Que Virou Poeta". Possui também publicações em livro solo e em antologias. Natural de Itu, reside com sua esposa no Canadá.

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