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Publicado: Sexta-feira, 13 de março de 2009

Templo e Comércio

Prossegue o tempo da quaresma, já agora no seu terceiro domingo.
 
Conquanto seja este o “Ano B” de Marcos, abre-se a partir de hoje um hiato de três semanas consecutivas, em que a liturgia apresenta os evangelhos dominicais, no dizer de João.
 
Volta, São Marcos, somente no Domingo de Ramos.
 
Assim fala, pois João (2, 13-25):
 
”” Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém.
No templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados.
Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas.
E disse aos que vendiam pombas:
“Tirai isso daqui! Não façais da casada de meu Pai uma casa de comércio”.
Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz:
“O zelo por tua casa me consumirá”.
Então os judeus perguntaram a Jesus:
“Que sinal nos mostras para agir assim?”
Ele respondeu:
“Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei”.
Os judeus disseram:
“Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”
Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo.
Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa.
Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome.
Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro. ““
 
Por uma questão de praticidade e de muito proveito, e assim merecer uma ponderação à parte, é de se dar relevo justamente à frase-fecho deste evangelho: ... ele conhecia o homem por dentro.
 
Todas as vezes que qualquer pessoa se ponha em oração ou em contato com Deus Nosso Senhor, em especial diante do sacrário e sós com Ele, que tenha presente que tudo Ele sabe de nós.
 
A ingenuidade religiosa leva às vezes o homem ao ponto de depositar ali queixas contra algum oponente seu e até descreva aquilo que ele considera faltas do outro. Jesus não se põe de juiz de ninguém, mesmo porque ama toda criatura e, no caso, ama um e outro, opositor e oponente.
 
Retomemos o evangelho agora, na primeira visão que o texto enseja e de modo mais amplo.
 
Mostra de como jamais se há de confundir os assuntos do plano espiritual com os meramente terrenos.
 
O templo, a casa do Senhor, ela em si e seus pátios, arredores e cercanias, hão de ser preservados, sempre.
 
Que se perdoe a comparação, mas deduz-se, até por questão de evidência e lógica, que mesmo as costumeiras quermesses de apoio financeiro a paróquias, deveriam ocorrer não propriamente nas portas ou próximas às igrejas.
 
As finalidades de culto e liturgia não se misturam com intuito de ajuda e arrecadação, ainda que estes se justifiquem por eventuais necessidades. Pior ainda quando o festejo pagão sobrepuja em vulto e promoção, e com isso obscurece e minimiza a religiosidade, que fica colocada em segundo plano.
 
Não faltará quem ajuíze este comentário de excessivo rigor. O direito de opinião é livre, afinal.
 
Não queiram, entretanto, mudar as letras da escritura sagrada, para dar-lhes interpretação que acomode os excessos, estes, óbvios, patentes e, por isso, lamentáveis.
 
João Paulo
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João Paulo

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João Paulo, pseudônimo do jornalista Bernardo Campos, adotado para temas de espiritualidade.

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