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Publicado: Segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tempestade na Igreja

Tempestade na Igreja
Quem não gostou da ideia foi o coroinha...

As nuvens prometiam algo grande enquanto as pessoas chegavam à Igreja Matriz. Na cidadezinha do interior, era costume terminar o domingo participando da missa. O vigário recebia os fiéis na porta do templo, cumprimentando a todos.

De dentro da igreja percebiam-se os relâmpagos iluminando o céu. O barulho dos trovões avisava: vinha uma grande tempestade. No verão o clima muda de repente e por isso ninguém havia levado guarda-chuva para a igreja.

No meio da missa a água desabou lá fora. A assembléia ficou assustada com o tamanho da chuva. Depois da surpresa inicial, a missa prosseguiu normalmente. Então celebração eucarística terminou. Mas a chuva não. Na hora da saída, começou então a aglomeração na porta da igreja. Sem guarda-chuva, ninguém queria molhar-se no caminho para casa.

Na sacristia o padre guardou os paramentos, os auxiliares arrumaram o altar e começaram a desligar as luzes. E o povo nada de ir embora, já que a tempestade persistia. Os responsáveis queriam fechar o templo. Afinal, não é porque se está na casa de Deus que não se tem horários a cumprir.

O povo aglomerado na porta da igreja começava a perder a paciência. Isso era hora de São Pedro mandar chuva? Não podia deixar para a madrugada? Ao mesmo tempo em que um burburinho tomou conta do lugar, o calor no local aumentava.

Estavam reféns das condições climáticas. Lá fora, a água gelada. Ali dentro, aquele calor humano. Um vendedor de guarda-chuvas ganharia uma pequena fortuna se passasse casualmente por ali.

O sacristão foi até o povo, reclamando que precisava mesmo fechar a igreja. Àquela hora começaria a ficar perigoso deixar o templo aberto, mesmo com tantas pessoas por ali. O anúncio desagradou os fiéis. Revoltados, jogaram o sacristão na chuva para ver se ele entenderia melhor o ponto de vista em questão.

Quem acabou com a confusão foi o vigário. Mandou o sacristão se enxugar e determinou: enquanto a chuva não parasse, ficariam todos ali rezando. Mesmo ouvindo muxoxos, o padre puxou o terço do bolso. Mas quem não gostou da idéia foi um coroinha.

A muito custo o menino conseguiu sair do meio da multidão e chegar até a saída da igreja. Com sua pequena túnica dobrada debaixo do braço, respirou fundo e lançou-se na chuva, com passos determinados. Todos os presentes ficaram surpresos com aquela impetuosidade toda.

Então, todos se acotovelando gritaram: “Menino, volta! Sai dessa chuva toda!”. Ao que o pequeno respondeu: “Mas é apenas água!”. E seguiu pra casa tranquilamente.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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