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Publicado: Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sorte ou Azar?

Assim como o 1º de abril (Dia da Mentira) e o 30 de fevereiro (Dia de São Nunca), a Sexta-Feira 13 é uma das datas mais emblemáticas do nosso calendário. Por uma série de circunstâncias culturais, o ser humano foi aos poucos incorporando folclores, histórias e lendas aos seus dias sobre a face da terra.
 
A tradição popular conta que Sexta-Feira 13 é dia de azar. Mas como sempre há exceções em tudo, há também quem diga o contrário: que a data traz muita sorte. Pelo sim, pelo não, a maioria prefere tomar algumas precauções durante o dia, evitando passar por baixo de escadas ou cruzar com gatos pretos.
 
Sorte ou azar? Será que isso existe? Você conhece uma pessoa realmente sortuda, com quem só acontecem coisas maravilhosas? E um azarado de verdade, você conhece? Aquele que vive situações impressionantes que demonstram uma total falta de sorte?
 
Sorte e azar são nomes que inventamos para justificar coisas que nos acontecem no cotidiano. Ganhou na rifa? Sorte. Perdeu dinheiro? Azar. Encontrou a alma gêmea? Sorte. Pediu o divórcio? Azar. Nasceu um filho com saúde? Sorte. Ele cresceu e virou corinthiano? Azar.
 
Podemos dizer então que determinar à sorte ou ao azar o que nos acontece é uma maneira de nos consolar. Quando um fato, bom ou ruim, acontece em nossa vida, não há como reclamar. Ele simplesmente aconteceu e pronto. Se vai ser positivo ou negativo, na verdade não é por sorte e nem por azar. Tudo depende do indivíduo, da circunstância e de uma série de peculiaridades.
 
No caso de um fato bom, expressar contentamento dizendo-se sortudo é uma boa maneira de partilhar o acontecido com as pessoas mais próximas. Conta-se a história feliz e então todos dizem: “Nossa, mas que sorte você tem!”. No caso de um fato ruim, a idéia é partilhar o acontecido e também desabafar. Quem sabe até procurar um conselho para o que aconteceu. E então todos dizem: “Nossa, você teve azar mesmo...”.
 
Se levar em conta que não ganho em rifas ou loterias, que não casei com uma estrela de cinema, que não tenho um carro importado, terei de me considerar um azarado. Porém, se levar em conta que tenho saúde e paz, que tenho pessoas maravilhosas fazendo parte da minha vida e que para quem tem Deus nada falta, terei de me considerar um sortudo. E você? Como se considera a esse respeito?
 
Tudo deve ser encarado com racionalidade. Impressiona como alguns se deixam levar por crendices, com objetivo de fugir do azar e encontrar sempre a sorte. Há os que perdem tempo indo atrás de mandingas e simpatias. Há os que criam manias para si, afirmando que esta ou aquela atitude poderá trazer sorte e evitar o azar.
 
Prefiro trocar a palavra “sorte” pela palavra “graça”. Pois neste mundo, tudo o que nos acontece de bom vem de Deus. E o Senhor sempre está zelando pelo nosso bem. Prefiro trocar a palavra “azar” pela palavra “provação”. Pois quando nos acontece algo desagradável, certamente é para que possamos refletir, aprender e superar uma tal situação.
 
Entre sortes e azares, entre graças e provações, assim segue a humanidade. E assim segue cada um de nós, em meio a dramas e alegrias, um dia após o outro. O importante é que saibamos tirar da vida o essencial, sem nos considerarmos sortudos ou azarados, mas vivendo em paz, de bem com Deus e com todos.
 
Quer sorte maior que conseguir isto?
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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