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Publicado: Domingo, 22 de janeiro de 2017

Solos Inférteis

Solos Inférteis

“A exemplo destes, devem procurar prosélitos, primeiramente, entre as pessoas de boa-vontade, que desejam a luz, nos quais se encontra um germe fecundo, e cujo número é grande, sem perderem tempo com os que se recusam a ver e entender, e que mais se aferram ao seu orgulho, quanto mais se der a impressão de se valorizar a sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claramente, do que a um só que se compraz na obscuridade, porque isso seria aumentar em maior proporção o número dos que sustentam a causa. Deixar os outros em paz não quer dizer indiferença, mas apenas boa política. A vez deles chegará, quando se renderem à opinião geral, de tanto ouvirem a mesma coisa incessantemente repetida ao seu redor, pois então julgarão que aceitam a ideia voluntariamente, por si mesmos, e não sob a pressão de outra pessoa. Porque as ideias são como as sementes: não podem germinar antes da estação própria, e a não ser em terreno preparado. Eis porque é melhor esperar o tempo propício, cultivando primeiro as que estão em condições, e evitando perder as outras por precipitação.”

Esse pequeno trecho que extraí do Evangelho Segundo o Espiritismo em “Não ir aos Gentios”, no Capítulo XXIV, acredito que retrata um dos ensinamentos que tanto eu quanto várias pessoas precisamos aprender.

Fazer mais a boa política, deixar de querer mostrar o quanto estão errados e apenas esperar para quando cansarem de ouvir a opinião geral, se renderem a ela.

Afinal, como bem diz o trecho, as ideias são como sementes, não poderão ser plantadas antes da estação própria e tampouco em solo infértil, tudo tem o seu tempo e somente em solo fértil, ou seja, somente em pessoas aptas a aceitarem o ponto de vista do próximo e terem consigo a tolerância de aceitar as diferenças é que poderão ser germinadas e crescerão assim de maneira frondosas.

E acho que isso se refere a outros pontos da vida também, aqueloutros nos quais as pessoas reclamam por vezes de solidão, mas não saem de sua zona de conforto e tampouco aceitam ajuda, preferem ficar ali paradas no seu tempo a reclamar e nem percebem que a vida está a passar bem diante de seus olhos e que os momentos não aproveitados não poderão ser resgatados, mas sim serão totalmente perdidos.

Sei que o nosso tempo difere dos outros, assim como sinto que a vontade de ajudar e fazer com que a pessoa acorde é grande, porém, todos os esforços serão em vão se a pessoa não estiver preparada, estaremos fazendo exatamente a pressão descrita no texto, pois essa pessoa, somente em sua estação própria é que irá aceitar as sementes e germinar, enquanto isso pode tão somente preparar o terreno, isso se realmente estivermos dispostos a tanto, porque muitas vezes preferimos procurar outro lugar para se plantar e abandonamos aquele o qual poderia nos conceder bons frutos.

Assim, na hipótese do não abandono, estaríamos a deixar a precipitação de lado, bem como a perda. Tudo ao seu tempo, na estação própria, cultivando, porém, em terrenos férteis. 

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Rogério Gimenez

Rogério Gimenez

Advogado nas áreas cíveis, bancárias e defesa do consumidor. Trabalha em São Paulo e reside em Itu.

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