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Publicado: Segunda-feira, 28 de março de 2016

Solidariedade a Dom Odilo Scherer

Crédito: Internet Solidariedade a Dom Odilo Scherer
Dom Odilo: "quem me agrediu precisa de ajuda"

Quinta-feira passada (24), durante a abertura das solenidades do Tríduo Pascal na Catedral da Sé, o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, foi covardemente agredido por uma mulher em óbvio estado de confusão mental.

O ocorrido deu-se no fim da missa. Um tal vídeo registrando parcialmente o fato começou a circular nas redes sociais e nele pode-se ver, de modo bastante claro, a postura de Pastor amável de Dom Odilo: ele foi até a moça, acolheu-a com um abraço e tocou-a carinhosamente. Segundo seus assessores, fez para ela a promessa de um atendimento mais atencioso e particular na sacristia, tão logo findasse aquela celebração.

Pena que a boa intenção e o acolhimento do cardeal não surtiram efeito. Apenas deu alguns passos levou um tapa na parte de trás da cabeça, o que fez cair sua mitra. Foi derrubado ao solo e sofreu um arranhão no rosto. O clero ali presente logo foi socorrê-lo. A moça, ofegante e desequilibrada, ficou no chão em estado de surto, balbuciando coisas sem sentido.

Dom Odilo não se afetou. Fez a Arquidiocese soltar uma nota oficial lamentado o caso, confirmando sua participação nas cerimônias religiosas já marcadas e convidando novamente os fiéis a participar da programação litúrgica. A moça perturbada foi levada embora por policiais e dela não se teve mais notícias (e olha que eu procurei...). Dom Odilo não quis prestar queixa formal, algo que qualquer cidadão teria o pleno direito de fazer. O coração de Pastor sempre fala mais alto.

O vídeo divulgando o episódio foi "casualmente" publicado nas redes sociais por um site chamado "Jornalistas Livres", que tem a credibilidade (sic!) de ter sido criado há menos de um ano por um grupo que defende ideologias e posturas completamente opostas às da Igreja Católica Apostólica Romana. O site afirma que a mulher agrediu Dom Odilo acusando-o de ser um "comunista infiltrado na Igreja". Uma rápida visita à página dos "Jornalistas Livres" torna óbvia as causas que estes defendem: lobby LGBT, Feminismo, ideologia de gênero, luta de classes, etc.

A notícia foi veiculada no Portal UOL, o maior do Brasil e da América Latina, através do blog de Leonardo Sakamoto: um jornalista que defende abertamente as pautas comunistas; que manifesta em seus artigos um claro anti-clericalismo; e que sempre usa o nome de Deus e os bons hábitos das pessoas que seguem alguma religião (qualquer religião), para fazer zombarias.          

Tamanha é a seriedade e a tolerância do Sr. Sakamoto que ele retirou de seu blog a possibilidade de os leitores fazerem comentários públicos, incapaz que parece ser de lidar com críticas contrárias às suas ideologias. Eu mesmo, no ano passado, critiquei-o abertamente por usar o nome de Deus ao tratar com ironia a crítica situação de crise hídrica que a cidade de Itu e seus habitantes suportaram por longo período.

Analisando tudo isso sob o crivo do olhar crítico, honesto e coerente, surgem algumas perguntas. O que o "Jornalistas Livres", um site que segue a pauta comunista, estava fazendo na Catedral da Sé em plena abertura de Tríduo Pascal? Qual o interesse deles em estar ali, já que abominam tudo o que vem da Igreja Católica? Por que esperavam, em local privilegiado, para fazer a filmagem justamente daquele momento? Qual o motivo de plantarem a "notícia" de a moça desequilibrada ter acusado Dom Odilo de ser "comunista", uma vez que, no próprio vídeo deles, isso não é possível de ser verificado?

Marotice de gente mal intencionada a gente reconhece de longe. Claro que se aproveitaram da situação, se é que não armaram aquele circo todo. Pode ser o típico caso de quem finge estar se afogando para gerar a notícia de que foi salvo. No jargão jornalístico, dizemos tratar-se de um factóide. E o propósito pode ter sido causar confusão entre os católicos, caluniar o Arcebispo de São Paulo e fabricar uma falsa imagem que a Igreja certamente não tem entre os fiéis e até entre os não fiéis.

Muitos outros portais de notícia abordaram o assunto relatando o acontecido, mas sem dar peso à questão da "acusação" de Dom Odilo ser ou não comunista. Não há nas redes sociais ou no noticiário em geral outras fotos ou vídeos, relatos ou entrevistas sobre o episódio, nem mesmo com a participação da tal moça perturbada.

A equipe do "Jornalistas Livres" e o Sr. Sakamoto são os últimos a quem se pode dar crédito por pautas que envolvam, em qualquer aspecto, a Igreja Católica Apostólica Romana. Ambos são claramente a favor do Comunismo e tudo o que fazem tem por objetivo agredir, difamar e causar confusão entre o povo católico.

Dom Odilo Scherer é uma das mais altas autoridades da Igreja no Brasil, com um enorme currículo de serviços prestados ao povo de Deus, reconhecido nacional e internacionalmente como um prelado sério e capacitado. Seus difamadores não sabem disso, não conhecem sua biografia ou sua trajetória. Certamente deve ter suas limitações, igual a qualquer ser humano. Certamente muitos não concordam com ele em tudo. Mas, até aí, o que tem de mais? Não se pode julgá-lo por causa disso, por ser humano como qualquer um de nós.

Infelizmente, com muito pesar, podemos dizer sim que a ideologia comunista infiltrou-se em nossa Igreja através de alguns poucos membros do clero e fiéis. Alguns colaboram com o ideário comunista de modo consciente. Outros são apenas idiotas úteis e o fazem sem perceber o peso de suas ações. Como joio no­ meio do trigo, eles tentam aos poucos abalar os pilares da fé católica. Numa tática esperta, pretendem minar a Igreja por dentro. Mas Deus é mais: seus esforços não conseguiram até hoje, e jamais conseguirão, tirar os católicos do rumo certo.

O questionamento sobre Dom Scherer ser comunista ou não, é descabido. E, mesmo que fosse levado a sério, nada justifica a agressão física dirigida a  um membro do clero, o que é considerado pecado grave além de falta de educação e de civilidade. Esse tipo de balbúrdia não funciona mais, não cola, não caímos nela.

Lembro-me do que dizia o saudoso Dom Hélder Câmara, também ele um dos grandes vultos da Igreja no Brasil, defensor da nossa Fé e do povo católico: "Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por qual motivo eles são pobres, me chamam de comunista". E recordo, também, o que o Papa Francisco afirmou recentemente: "Cuidar de quem é pobre é Evangelho, não é comunismo".

Por fim, mas não menos importante e a quem interessar possa: pessoas desequilibradas, que saem por aí gritando no meio das missas e agredindo sacerdotes, não representam de modo algum o modo de ser e de agir de um verdadeiro católico romano. Temos em nosso meio inúmeras Pastorais e Movimentos, formados por gente de bem, que possuem diversas linhas de pensamento e de ação, com variados estilos de espiritualidade. Somos um exemplo de unidade na diversidade. E, mais importante do que as coisas em que possamos divergir, é o motivo que nos une verdadeiramente: o amor e a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e na Santa Madre Igreja.

O cardeal arcebispo Dom Odilo Scherer tem a minha total solidariedade neste episódio, possivelmente montado pelos agentes comunistas contra sua pessoa. Tenho certeza de que a imensa maioria dos fiéis católicos são solidários também. Sobre o imbróglio, o cardeal deixou para todos uma clara mensagem em sua página pessoal: "Devagar com interpretações: a pessoa que o fez (o ato de agressão) precisa de ajuda!".

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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