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Publicado: Quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Setenta vezes sete

XXIV DOMINGO COMUM.

11 de setembro. 2011

Evangelho segundo Mateus (18, 21-35).

*   *   *   *   *   *   *   *   *

“ “    Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”

Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o reino dos céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga-me o que me deves’.

O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ Mas o empregado não quis saber disso.Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

*   *   *   *   *   *   *   *

Conhece você alguém absolutamente sem defeitos? Com poucos ou muitos, é certo e sabido que ninguém é perfeito.

Para quando a gente vacile e caia em pecado – postura e situação em que não é possível ser feliz, existe a alcance de todos a possibilidade de se emendar e obter o perdão. E essa graça ocorre com tanta eficácia que, após devidamente perdoados os pecados, para Deus é como se eles nem tivessem acontecido. Não coloca Deus um “xis” sobre o seu passado pecaminoso, mas pelo contrário passa como que um apagador definitivo sobre suas faltas. Somem. Desaparecem.

Entretanto, mesmo assim, é sabido que o malígno não se rende à toa nem facilmente. Em permanente espreita, oferece suas ciladas e acena com os prazeres do pecado, transitórios embora. Ver-se mal perante Deus é sem dúvida, o que mais impede atitudes sadias consigo e com terceiros. Quer dizer: nessas condições a falsa sensação de felicidade é um engodo.

Entra aí a bondade extrema do Criador, que acolhe de volta quem o deseje de coração. Quase incompreensível ao coração humano que Deus não o perdoa apenas uma mas quantas vezes haja recaídas, desde que a pessoa se arrependa de coração e que, mais ainda, esteja ciente e consciente do propósito de não reincidir.

Desde o pecado original, o homem no entanto se tornou vulnerável. Mesmo assim, se a cada vez vier a se confessar, contritamente e decidido a viver uma relação de firmeza e constância razoáveis na sua espiritualidade, vai perceber que a cada vez se torna mais forte.

É nesse sentido que Jesus ensina que se há de perdoar as pessoas intimamente contritas, setenta vezes sete, ou seja, sempre.

A qualquer época – diga-se só para ilustração, - ao infinito – a reconciliação é uma dádiva de esperança.

Descuidado, sem a atenção necessária, não se vá ao erro somente na suposição ingênua de que Deus seja apenas “bonzinho”. Ele é justo. Tanto que, se há consciência de que sempre Ele pode perdoar, exige-se ao mesmo tempo desse exercício do perdão e da reconciliação com Deus a coerência de igual conduta para com o semelhante.

Se Deus perdoa, minimize e esqueça as causas humanas e também perdoe o seu irmão. Incondicional e totalmente.

                                                                              João Paulo

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João Paulo, pseudônimo do jornalista Bernardo Campos, adotado para temas de espiritualidade.

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