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Publicado: Quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Série Assinaturas: Miguel Archanjo Benicio Dutra

Série Assinaturas: Miguel Archanjo Benicio Dutra
Assinatura de Miguelzinho Dutra, em 1835. Ele estava com 23 anos e residia em Itu.

 Através desta Série Assinaturas passo  a resgatar, nos documentos de Arquivo, os moradores que participaram da construção de nossa História.

A leitura dos antigos documentos dos séculos 18 e 19 nos transportam para outros tempos, outros cotidianos e ao conhecimento dos moradores de uma localidade que, deixaram através de sua escrita, as marcas materiais de sua História.

Muitos deles eram  letrados e puderam nos deixar seus artigos, livros, poesias, partituras e  até mesmo fotografias. Mas  não era a regra em uma sociedade formada por poucos alfabetizados, onde a grande maioria apenas sabiam  fazer as suas assinaturas que ficaram gravadas nos documentos.

Desta vez, apresento  a Assinatura de Miguel Archanjo Benicio Dutra, o  Miguelzinho Dutra, nascido em Itu em 1812 e falecido em Piracicaba, em 1875.

Traços de sua Biografia:

Transcrevo abaixo, com a ortografia da época, a notícia de seu falecimento encontrada no  jornal Província de São Paulo, atualmente Estado de São Paulo, em  28 de setembro de 1875:

“Piracicaba – Informam-nos que falleceu há dias n’esse lugar com mais de 60 annos o estimado cidadão, Sr. Miguel Benício da Silva Dutra, filho de Ytú e que há muitos annos residia naquela cidade.

Filho do povo, conseguio, pela grande força de vontade de que era dotado, tornar-se um dos  homens mais prestimosos de Piracicaba.

Artista, pois que era pintor, viveu sempre uma vida honrada, morrendo pobre. Devido aos seus esforços foi construída a egreja da Boa Morte e muitos outros importantes melhoramentos da cidade.

  Era homem muito curioso e amigo do saber, pelo que conseguiu collecionar em um museu, de sua propriedade grnade numero de especimens de zoologia botânica, mineralogia, pintura e archeologia.

A morte de tal cidadão é muito sentida por todos que o conheciam” 

Miguelzinho, como popularmente era e ficou conhecido,  era filho do ourives Thomas da Silva Dutra, morador de Itu. Aqui se casou, em 1835 com  Francisca Rosa de Assis Dutra e, em 1845, transfere-se para Piracicaba onde faleceu em 1875. Foi escultor, pintor, ourives, organista, compositor, poeta e literato. Sua produção iconográfica é considerada uma das mais importantes do estado de São Paulo no século 19.

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