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Publicado: Quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Senna, o Último Brasileiro

Crédito: Internet Senna, o Último Brasileiro
Ele foi o último a inspirar de verdade todos os brasileiros.

Nem sei bem a razão, mas certa noite comecei a relembrar o grande Ayrton Senna da Silva assistindo algumas passagens de sua vida em vídeos do Youtube. Revi entrevistas, reportagens e corridas. Recordei também as fatídicas cenas de sua última corrida em Ímola, na Itália, bem como a cobertura jornalística da época e a repercussão causada em todo o planeta.

Revendo as cenas do funeral de Ayrton, percebi a imensa admiração que ele causava no povo. Ao passar poucos segundos diante de seu caixão, as pessoas jogavam flores, mandavam beijos, choravam. Vinham enroladas na bandeira nacional ou com o tradicional boné azul. Pais carregavam crianças nos ombros para se despedirem do ídolo. Então, me dei conta.

Senna foi o último brasileiro. De verdade. Um cidadão quase comum, não fosse o seu gênio incomparável para o mundo do automobilismo. Para além de ser um piloto imbatível, foi um cidadão exemplar. Ayrton inspirava as pessoas a darem o melhor de si e não apenas para si mesmas, mas para os outros, para o país também.

Depois da morte de Ayrton, ficamos órfãos de grandes ídolos. Não temos heróis a nos dar exemplo e apontar caminhos.  Isso é triste. Contrariando aquela antiga afirmação, penso que o país que não tem heróis é infeliz. Pior que depender de heróis é não ter herói algum para inspirar o melhor nas pessoas. Senna foi o último brasileiro, de verdade, a inspirar os brasileiros independentemente de sua classe social, credo, raça, orientação sexual ou preferência política.

Chegamos a mais um Dia da Independência (a história e os termos podem ser debatidos em outro artigo) com um Brasil esfacelado e dividido, onde sua cultura foi demolida e a esperança está em frangalhos. Os agentes do caos conseguiram desesperançar a maioria das pessoas. Muitas querem mudar “do” Brasil em vez de mudar “o” Brasil. Tem muita gente desistindo da brasilidade, ao contrário do que Senna sempre fez.

Em suas inúmeras vitórias, a primeira atitude de Ayrton era empunhar a bandeira brasileira para que o mundo todo visse. Mas, principalmente, para que todo brasileiro entendesse: “O Brasil é grande! Nós somos ótimos! Vamos trabalhar para construir uma grande nação! Não se escondam! Não desistam! Vamos mostrar ao mundo do que a gente é capaz!”.

Talvez o Brasil nunca tenha precisado tanto de brasileiros de verdade como agora.

Gente íntegra, trabalhadora e sem medo de fazer mais sacrifícios ainda.

É com sangue, suor e lágrimas que se constrói um grande país.

E com bons exemplos também.

Possa Ayrton Senna da Silva, o último dos brasileiros, inspirar-nos alguma coisa.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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