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Publicado: Domingo, 22 de agosto de 2010

Senhor Myiagi

Senhor Myiagi
Pat Morita, o eterno Senhor Miyagi

A Rede Bandeirantes é a quarta emissora de televisão em audiência no país, segundo o IBOPE. Não quer dizer que sua programação é ruim. Sábado à tarde, enquanto a Globo repetia Luciano Huck, o SBT e a Record nem sei o quê, a Band reprisava o clássico “Karatê Kid – A Hora da Verdade” (KK).

Tinha oito anos quando o filme chegou aos cinemas. Não fui ao Cine Marrocos, mas assisti em VHS. Décadas depois, já não me lembrava de mais nada e assisti à reprise televisiva como se fosse a primeira vez. Parece que voltei aos dez anos de idade. Foi ótimo. O melhor filme do mês.

Os astros do filme são Pat Morita (Sr. Miyagi) e Ralph Macchio (Daniel LaRusso). Depois de “KK”, Ralph nunca mais fez um filme tão expressivo. Azar de quem atuou num cult. Por isso comentarei sobre Pat, que tem uma biografia interessante.

Pat Morita nunca foi japonês, ao contrário de seus pais. Nasceu na Califórnia, na tradicional cidade de Sacramento, em 28 de junho de 1932. Seu pai era comerciante. Ainda criança adquiriu tuberculose espinhal e só aprendeu a andar aos 11 anos de idade, após uma série de tratamentos e operações.

Descendente de japonses, na época da Segunda Guerra Mundial teve que ir com a família para um “campo”, onde na verdade eram vigiados. Sr. Miyagi era budista? Não. Era católico. Seu nome verdadeiro era Noriyuki Morita. Mas adotou o “Pat” por causa do Padre Patrick que, nos tempos difíceis da “concentração da Guerra”, tornou-se seu melhor amigo.

Adulto, tornou-se ator. Atuou em vários seriados, com sucesso. Em 1984 fez “Karate Kid” e concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Perdeu o Oscar. Mas ganhou fama mundial. Tamanho foi o sucesso do filme que ganhou o eterno apelido do personagem, um Papai Noel nipônico de onde nenhum mal poderia vir.

No filme Miyagi (lê-se “miágui”) é um veterano de guerra, que perdeu mulher e filho por complicações no parto. Solitário, apenas continuou com a vida. No jovem e frágil Daniel San, achou o filho que nunca teve. Daniel que, aliás, também carecia de uma figura paterna.

Durante todo o treinamento de Daniel San, vemos um pai ensinando um filho. O ápice é a cena em que Miyagi dá um carro para Daniel no dia do aniversário. Há algo mais “pai e filho” do que isto? Miyagi aparece para defender Daniel e no fim o treina para um campeonato, para a vida.

Daniel vai passando todas as fases do torneio de karatê, com Miyagi a seu lado. Chega na disputa final. E vence. Graças a todas as dicas de seu amigo/pai japonês. O filme termina, abrupto. Bem típico dos anos oitenta. E resta aos fãs aturar as chatas sequências, parte dois e parte três.

Pat Morita morreu de causas naturais, em 24 de novembro de 2005. Mas será o eterno “Senhor Miyagi” para muitos da nossa geração. Quem não estiver entendendo isto, basta ir à locadora mais próxima!

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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