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Publicado: Quarta-feira, 30 de junho de 2010

SALA NA COPA - Dunga x Globo

Crédito: Internet SALA NA COPA - Dunga x Globo
Dunga quer vencer a Copa, o resto é resto.

Em primeiro lugar, quero reafirmar que não tenho nada contra a Rede Globo de Televisão. Ao contrário. Até admiro seu fundador, Roberto Marinho, e quem desejar pode procurar em artigos passados minhas palavras a respeito dele.

Na atual cobertura da Copa 2010 a Globo peca pela falta de humildade que lhe é peculiar, já que carrega o título de maior emissora do país. Porém, o fato de ser a maior não significa que seja a melhor. Nem que mereça tratamento especial em relação a outras emissoras.

Ao contrário da baderna instalada nos bastidores da delegação brasileira na Copa de 2006, este ano o técnico Dunga tratou de colocar os pingos nos is. Não era isso o que todos queriam depois daquele fiasco? Uma reformulação ampla, alguém que tivesse comando e liderasse os jogadores, sem medo de fazer cara feia?

Poisé. Veio Dunga, o “xerife” do tetra. Nunca tinha sido técnico, mas encarou a empreitada. Como bom gaúcho, era destemido. Formou um grupo novo, contrariou comentaristas. Sofreu pressões e críticas. Foi vaiado, xingado de burro no início de seu comando sobre a Seleção Brasileira. Vaias e xingamentos reproduzidos, sem nenhuma diplomacia, por todos os telejornais da Rede Globo.

Dunga perseverou. Confiou em seu grupo e colocou sobre os jogadores o peso dessa confiança. Evoluindo, ganhou a Copa América, a Copa das Confederações e classificou o Brasil para a Copa 2010 em primeiro lugar no grupo, com a melhor campanha já feita pela Seleção Brasileira nas eliminatórias.

Chegando à África, a Globo pensou que poderia fazer o de sempre. Entrevistar jogadores no saguão do hotel, filmar suas acomodações, cercá-los nos elevadores, vê-los almoçar, relaxar na piscina, etc. Dunga não permitiu nada disso. E a Globo ficou chateada. Fez manha. E ainda faz. Não admite receber o tratamento dado à imprensa em geral.

Por conta disso, Dunga se transformou num técnico “despreparado”, “sem postura”, “mal educado”, “grosso”. A Globo passou a enfatizar o lado “zangado” do técnico da Seleção, colocando a parcialidade de lado e esquecendo de mencionar o retrospecto dele à frente do time.

Não que Dunga se importe. Ele foi à África para vencer a Copa, o resto é resto. Seus jogadores estão unidos e disciplinados. Concentrados com o compromisso de vencer a competição.

Se bem me lembro, em 2006 o noticiário dividiu os jogadores entre “certinhos” e “baladeiros”. Fofocou sobre as “baladas” e festas nas folgas da Seleção. Concedeu a Parreira um status de Mr. Banana, alguém sem controle sobre seu próprio grupo.

Não me importa se Dunga sairá da Copa 2010 como o técnico campeão mundial. Admiro sua figura porque ele fez exatamente aquilo que todos esperavam. Hoje temos uma Seleção novamente, digna de ser chamada de Brasileira. E não um grupo de super-estrelas exibicionistas, com muito papo e pouca bola.

E caso Dunga ganhe a Copa do Mundo, a Globo continuará fazendo manha?

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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