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Publicado: Quinta-feira, 10 de novembro de 2011

República das Bananas

Crédito: Internet República das Bananas
Neymar terá muita banana pra comer até 2014

Era para ser tão linda a República idealizada pelos antigos romanos! Seria a forma de governo na qual um chefe de Estado, eleito pelos cidadãos, cuidaria da “res publica”, ou seja, da “coisa pública”. Em seu conceito original, portanto, a República caminharia lado a lado com a democracia: o governo do povo, com o povo e para o povo.

República das Bananas é um termo pejorativo, criado pelo humorista e cronista norte-americano O. Henry, que faz referência a qualquer país (normalmente latino-americano) politicamente instável e de fácil manipulação por governantes corrompidos, submisso a interesses que não os do povo. Apareceu pela primeira vez no livro “Cabbages and Kings”, publicado em 1904.

A primeira República das Bananas verídica foi Honduras, onde a United Fruit Company e a Standard Fruit dominavam as exportações de bananas na América Central. Como o governo hondurenho não baixou impostos favorecendo a empresa, esta resolveu agir.

Em 1910 partiu um barco de Nova Orleans. Dentro dele havia um novo presidente para Honduras, escolhido pela poderosa empresa. O plano era criar um golpe e instalar o tal sujeito à força. Foi mesmo o que aconteceu e a primeira medida do novo governante hondurenho foi isentar a companhia de impostos por 25 anos.

Por muitos anos, principalmente durante a ditadura militar, o Brasil era chamado de República das Bananas por muita gente nos EUA, Europa e Ásia. Com a volta da democracia em 1989 e a recuperação econômica a partir de 1994, aos poucos essa imagem brasileira foi mudando no exterior.

Somos hoje um país com bilhões de dólares em reservas internacionais, com instituições sólidas e uma democracia consolidada. Somos um povo que trabalha movido à esperança, com a auto-estima elevada, espírito alegre e acolhedor. Os brasileiros são talentosos, inteligentes e empreendedores.

Mesmo assim, passando a vista nas manchetes de hoje, ainda sinto um cheiro de bananal em nossa República: chefe do tráfico escondido em carro de diplomata; ministros de Estado caindo por denúncias de corrupção; governador do DF com impeachment pela frente; entre outras coisas.

Para nosso consolo, podemos comemorar: a jóia Neymar fica no Brasil até depois da Copa de 2014! Certamente terá muitas bananas para comer.

 

 

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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