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Publicado: Terça-feira, 17 de setembro de 2019

Repartir, verbo divino!

“A partilha começa na mesa, a justiça é rebento e certeza de quem luta e abraça a razão de fazer do pão comunhão.”

Jesus Cristo, no episódio de Emaús, se põe a caminho no meio dos discípulos e, na longa caminhada “reconta” a eles toda história de Salvação; apesar de tudo só vão reconhecê-lo no seu gesto de repartir o pão. Mais que repartir o pão, Cristo repartiu tudo, sua carne e seu sangue para matar nossa fome espiritual. Espera que nós, cristãos adotemos igualmente essa marca registrada fundamentada na partilha e no serviço aos irmãos.

“A palavra partilha está relacionada com o sentimento de identificação existente entre duas ou mais pessoas. É sentimento porque supõe iniciativa de dentro para fora. Constitui um caminho contrário daqueles que têm atitudes egoístas e querem tudo para si mesmos. Não conseguem enxergar as necessidades principalmente prementes dos outros e acabam não partilhando o que é possível.” (Dom Paulo Mendes Peixoto)
 
As Sagradas Escrituras, sobretudo os evangelhos, estão recheados de situações que valorizm a partilha, a solidariedade, a fraternidade, o pensar no outro, o ajudar aquele que precisa. Lembramos aqui o milagre da multiplicação dos pães, chamando os discípulos à responsabilidade cristã da coparticipação na edificação do Reino de Deus que é de todos e para todos: “Dai-lhes vós mesmos de comer”, que o milagre vai acontecer. É o milagre da partilha, onde o pouco repartido sempre dá e sobra.
 
Vemos isso também quando Elias chega à casa da viúva e pede que ela providencie pão para matar sua fome. Diante da miséria da mulher que alega ter óleo e farinha para mais uma refeição e esperar a morte, Elias garante que Deus não iria deixar faltar comida para ela. E assim aconteceu.
 
Igualmente, os Evangelhos alertam para o perigo da atitude antagônica: acumular. Trata-se, sem dúvida, de um verbo que vem ganhando espaço no mundo moderno. Se o repartir traz paz na consciência, recompensa do dever cumprido, o acumular gera disputa, discórdia, exploração, ganância desmedida.

Pensemos seriamente nas fortes frases ditas por São Basílio, ao comentar o Evangelho de Mateus 25, 31,46: “O pão que para ti sobra é o pão do faminto. A roupa que guardas mofando é a roupa de quem está nu. Os sapatos que não usas são os sapatos dos que andam descalços. O dinheiro que escondes é o dinheiro do pobre. As obras de caridade que não praticas são outras tantas injustiças que cometes. Quem acumula mais que o necessário pratica crime”.

Isso não significa que não devamos lutar pelas necessidades básicas da vida, tendo, no entanto, um correto dimensionamento da mesma e não o que o mundo quer nos mostrar hoje em dia. Busquemos uma prosperidade saudável, somente possível quando Deus faz parte da nossa vida.

É preciso tentar escapar do consumismo e do acúmulo doentio de bens, tantas vezes desnecessários e impedir que o dinheiro tome conta da nossa vida.

Repartir não se limita aos bens materiais, mas a tudo que diz respeito à vida, seja o nosso tempo, seja uma visita, um estender as mãos, a alegria de um sorriso, nossas orações, o amor, nossos talentos e as graças que Deus nos concede em abundância.

Enfim, de uma forma ou de outra, todos nós precisamos de ajuda e podemos ajudar, basta ter olhar e coração para ver as necessidades e as oportunidades com as quais convivemos diariamente. Que Deus nos ajude!

Salve Maria! 

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Família e Vida

Valdomiro Carezia

Valdomiro Carezia

Ex-professor e Auditor Fiscal Aposentado, possui Curso de Teologia para leigos. É colaborador no jornal "A Federação" de Itu.

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