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Publicado: Quarta-feira, 20 de junho de 2018

Relações na Bandeja

Relações na Bandeja

O fast food das relações já lançou seu cardápio nesses novos tempos. Tem-se tudo a toda hora no tempo que decidir, livre de comprometimentos ou qualquer responsabilidade acerca do dano emocional que às vezes se causa na vida de outro alguém.

 

Qual o papel que desempenhamos na vida e na existência das pessoas que cruzam nosso caminho? Qual a essência que desejamos deixar nas lembranças dos que nos testemunharam? Qual é o anseio nas buscas desesperadas por quantidades destituídas de valor? Quem somos nós enquanto povo, enquanto uma civilização que teceu suas bases fundadoras na complexidade das relações sociais?

 

O que adiantaria ser uma espécie social que está deixando a cargo da ascensão cibernética toda a rede de significados capazes de nos posicionar diante da cadeia evolutiva? Ou seja, de que vale depender da sociabilidade para evoluir se estamos relegando ao universo paralelo e fantasioso do ciberespaço todo o trabalho das construções relacionais. Como se relacionar sem estar lá? Como duas pessoas se conectam sem de fato estarem compartilhando a mesma atmosfera temporal e física?

 

A volubilidade dos encontros nesses novos tempos tem deixado marcas estrondosas na capacidade das pessoas em tecer e estruturar vivências significativas. A lógica do fast food tem relegado às pessoas o papel de mero entretenimento virtual de um outro alguém com tendências sadistas.

 

O espaço virtual permite que todos sejam seus anseios mais glamorosos, bem como suas facetas mais sombrias. Somos aquilo que possivelmente nunca deixaríamos transparecer nas relações de carne e osso.

 

Sendo assim, as relações estão sendo colocadas numa bandeja e distribuídas como acessórios rápidos e corriqueiros da estada humana na lógica evolutiva. Não existe mais o zelo e a delicadeza no respeito ao direito das existências alheias. Existências estas plenas e recheadas da mais pura vontade de viver e sentir o âmago de tudo aquilo que de fato importa: o nós.  

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Ana Paula Cavalheiro

Ana Paula Cavalheiro

Formada em Ciências Sociais pela USP-SP, Psicologia pela Unimep e especialista em Psicopedagogia. Faz atendimentos psicológicos clínicos particulares, presta assistência na Delegacia da Mulher e produz artigos que retratam temáticas existenciais.

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