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Publicado: Sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Racionamento também é culpa nossa

Crédito: Internet Racionamento também é culpa nossa
É preciso usar recursos naturais com inteligência.

Itu está passando por um racionamento de água. Grande novidade!

Desde a minha infância, mais de vinte anos atrás, tenho recordações do tipo: racionamento uma parte do dia ou rodízio entre os bairros durante a semana.

Não sou especialista no assunto, mas dos anos 1980 até hoje parece que a população ituana dobrou. E certamente não foram feitos investimentos para a ampliação da rede de água e esgotos no mesmo ritmo.

Está mais que discutido que as várias esferas do poder público (federal, estadual e municipal) não atendem as necessidades mais básicas do povo brasileiro.

Acontece que um dos esportes nacionais é justamente colocar a culpa de nossas mazelas apenas nos governantes (como se não fôssemos nós os culpados por votar neles...). O brasileiro não sabe fazer autocrítica e a falta de água em nossa cidade também é culpa nossa.

É culpa nossa porque os brasileiros não gostam de ser racionados e nem racionalizados. Temos preguiça de raciocinar e nos comprometer com um sistema de utilização sustentável das coisas, seja água, eletricidade ou o próprio lixo.

Vivemos num país conhecido pela abundância e lastimado pelo desperdício. O Brasil é um dos lugares do mundo em que mais há água potável e mesmo assim há inúmeras cidades sem saneamento básico.

O que queremos é fartura, sempre. Queremos energia elétrica infinita, para deixar luzes acesas pela casa inteira. Queremos que nosso lixo se organize sozinho nas lixeiras, fazendo uma autoreciclagem. Queremos água sempre na torneira, para lavar calçadas e automóveis com mangueiras e tomar banhos de uma hora.

Qualquer racionamento é ruim. Pergunte aos europeus e eles concordarão conosco. Mas nosso racionamento é pior porque não estamos acostumados e nem educados a viver com o necessário.

Não chove regularmente em Itu desde o início do mês de junho. Será que ninguém percebeu que a água faltaria? Será que ninguém percebeu que o elemento chuva estava desaparecido nos últimos meses?

E mesmo assim ainda vejo pessoas regando jardins, lavando calçadas, enchendo piscinas e cuidando da limpeza do carango no maior desperdício...

Particularmente, não estou sofrendo com o racionamento: tomo banhos de 15 minutos; lavo a louça com a torneira aberta apenas na hora de molhar e enxaguar pratos e copos, ensaboando-os com a torneira fechada; deixo as roupas acumularem bastante para lavar na máquina e utilizo a água que sai dela para lavar o quintal.

Creio que se conseguíssemos utilizar a água de maneira sustentável, com inteligência e disposição para isso, talvez não fossem mais necessários os racionamentos. Mas isso é uma questão de educação e, infelizmente, essa não é uma das nossas características mais marcantes.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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