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Publicado: Sexta-feira, 20 de junho de 2008

Que venha o Jornalismo 2.0!

Sou jornalista formada na vida. Sempre gostei de gente e de comunicação. Apesar da formação em psicologia, meus olhinhos sempre brilhavam quando podia escrever, criar, comunicar. Gosto de ver e contar, sentir e expressar, encontrar e trocar.
 
Entrei no jornalismo por acaso, embora eu acredite que as coisas mais importantes da vida acontecem por acaso mesmo. Por uma contingência que reuniu crise com oportunidade, fui acontecendo o que em mim já morava.
 
Eu jamais poderia ser jornalista de sala de aula. Muito menos ser uma jornalista que obedece regras e pautas fechadas. O meu jornalismo, que sempre morou dentro e desabrochou, tem cor, sabor, cheiro, som e textura 2.0. Em todos os sentidos, ele tem um jeito livre de ser: na escrita, na escolha, no relacionamento, no aprender. 
 
Aprendi a ser jornalista no formato web. Até cheguei a publicar artigos e reportagens em revistas e jornais, mas sempre me sinto com os dedos atados. Encaixa aqui, tira ali... ok, sei que sintetizar também é uma arte! Mas é possível sintetizar na web também, e abrir janelas e portas para o mundo!
 
Desde 2000 acompanho a evolução inacreditável da Internet. Quando lançamos o www.itu.com.br nesse mesmo ano, a banda larga nem sonhava em chegar na cidade. Isso só aconteceu dois anos depois. De lá pra cá, não apenas a Internet evoluiu: a consciência e participação ativa da sociedade também. Porque, afinal, o jornalismo 2.0 é feito por todos e para todos. Ele não precisa de intermediários que decidem o que publicar em função de interesses comerciais ou políticos. É uma verdadeira revolução, que silenciosamente está acontecendo e contagiando pessoas, mostrando o poder da união, a força do acreditar e a beleza das realizações coletivas, éticas e humanitárias.
 
No jornalismo 2.0, o que considero principal diz respeito a relacionamentos. É claro que a tecnologia é fundamental para apoiar essa mudança, mas ela por si só não serve pra nada. É a questão humana que fará a diferença, apoiada – sim – nos avanços tecnológicos que permitem projetos incríveis como os blogs, sms, youtube, google, myspace, e tantos outros.
 
Estamos diante de uma revolução cultural de proporções elevadas. Quando ilumino a palavra relacionamento, penso em algo bem amplo. Trago aqui os 10 Mandamentos do Jornalismo 2.0, enfocando a palavra relacionamento:
 
1) Relacionamento consigo mesmo
 
Não acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias. (Harry Benjamin)
 
Traz a consciência de que fazemos parte de uma rede e que temos o compromisso de fazer a nossa parte para mudar o mundo. Dê adeus ao ser passivo que fica catatônico em frente à TV, tendo que engolir propagandas e programas indesejáveis. Se você ainda é um deles, acorde!
 
2) Relacionamento com o outro
 
Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. (Madre Teresa de Calcutá)
 
Traz a importância do outro em nossa vida, não apenas como uma “fonte” de informação ou de audiência, mas sim como uma possibilidade de aprender, trocar e se emocionar. Nas entrevistas, insisto com meus estagiários que conversar com alguém para entender um assunto é muito mais do que escolher fontes para fazer uma reportagem. Leitores, ouvintes e telespectadores não são números, são gente! São vidas que podem trazer o frescor da opinião, da visão do novo, incitando novos temas e possibilidades. O jornalismo traz a possibilidade do encontro a cada despertar. Isso já está acontecendo. Quem já está desperto?
 
3) Relacionamento com a rede
 
Quando estranhos começam a agir como vizinhos... as comunidades se revigoram (Ralph Nader)
 
Não estamos mais sozinhos. Que boa notícia! Temos amigos futuros chegando a cada dia. Gente que cruza o nosso mundo virtual ou a nossa vida real, e amplia a nossa rede de relacionamentos em cada encontro. Antigamente, se participávamos de um evento e trocávamos cartão, era difícil manter contato, a não ser em casos específicos. Hoje em dia, a participação em qualquer evento, blog ou comunidade traz a noção da amplitude do mundo e de como podemos nos conectar. Cuide da sua rede. Respeite, não abuse, entenda o que cada um gosta, personalize seus e-mails, não automatize as respostas, nem as sugestões de pauta. Trate sua rede com humanidade, não caia no vício de tratá-la como número.
 
4) Relacionamento com a liberdade
 
Os que negam liberdade aos outros não merecem liberdade (Abraham Lincoln)
 
Hoje, qualquer pessoa que more em um país aberto pode fotografar ou filmar um evento e colocar na rede. Em minutos, pessoas do mundo todo podem acessar essa informação. Essa significativa mudança deve trazer a consciência de que não somos mais detentores da informação e sim divulgadores. Devemos aprender a usar essa liberdade com responsabilidade e desistir de ser dono da informação. Isso já era! Não teremos mais reféns; teremos fãs!
 
5) Relacionamento com a ética
 
O conhecimento não é algo para ser acumulado e comentado. É algo para ser vivido. (Malcolm Margolin)
 
O jornalista vê muita coisa. É preciso aprender o que fazer com tudo o que ele vê. Fazer por fazer, eximindo-se do compromisso que a profissão traz, apenas para ficar bem na foto é também coisa do “q
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Deborah Dubner

Deborah Dubner

Psicóloga, escritora, Focalizadora de Danças Circulares. Idealizadora da Pratica #umagradecimentopordia, que se tornou um Movimento de Gratidão. Autora de quatro livros, publicou em 2018 "A Prática da Gratidão", que tem sido tema de rodas de conversa.

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